A ex-doméstica Vera Oliveira, de 55 anos, encontrou na coleta de sementes e frutos nativos uma nova fonte de sustento e conexão com o meio ambiente em Nova Xavantina, no Mato Grosso. A atividade, que realiza há quase dez anos em regiões urbanas e rurais próximas, como Pindaíba, Água Boa e Campinápolis, é desenvolvida por meio da Rede de Sementes do Xingu (RSX). A rede reúne cerca de 700 coletores e fornece insumos para projetos de restauração ambiental na bacia do Rio Xingu, que percorre o Cerrado e a Amazônia, do Mato Grosso ao Pará.
Criada em 2004 a partir de uma campanha coordenada pelo Instituto Socioambiental (ISA), a RSX surgiu com o objetivo de restaurar as margens degradadas do rio por meio do plantio direto de sementes, conhecido como “muvuca de sementes”. O método, considerado mais eficaz para a região do Xingu do que o plantio de mudas, consiste na dispersão de sementes de diversas espécies – algumas nativas e outras de ciclo curto, como girassol, feijão-guandu e abóbora – para imitar o processo natural de sucessão ecológica. Com o tempo, as espécies de crescimento rápido adubam o solo, favorecendo o desenvolvimento da vegetação permanente.
Segundo a engenheira florestal Aline Ferragutti, analista técnica do projeto Redário, que articula 27 redes de sementes nos biomas brasileiros, a semeadura direta apresenta vantagens como maior diversidade, adaptação ao solo e eficiência na restauração. Em 2024, as redes conectadas ao Redário comercializaram 18,5 toneladas de sementes de 186 espécies. A RSX, de forma independente, forneceu 30 toneladas no mesmo período. Projetos como o Floresta Viva, do BNDES, apoiam iniciativas desse tipo. Um exemplo é a Energisa, empresa de energia que, com recursos do projeto, restaurou 700 hectares na região do Xingu.
Além do impacto ambiental, a atividade proporciona autonomia econômica e bem-estar social. Para Vera, a renda proveniente da coleta garantiu a compra de bens como bicicleta, moto, carro e reformas em casa, assegurando estabilidade para sua família. De acordo com Lia Domingues, da coordenação da RSX, a rede também fortalece vínculos comunitários, promove liderança, aprendizado e melhora a saúde mental, especialmente entre mulheres e povos indígenas. A experiência vivida por Vera reflete como ações sustentáveis podem transformar vidas e preservar o meio ambiente.
Por Eduardo Souza
Com informações: Agência Brasil
Foto: Liliane Farias/Agência Brasil
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