A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2,3% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2025, mas fez um ajuste para baixo em relação à indústria, projetando agora uma expansão de 1,6%. Essa redução é a segunda consecutiva, refletindo a desaceleração no setor industrial, especialmente no segmento de transformação. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17) no Informe Conjuntural do terceiro trimestre.
A agropecuária, com estimativa de crescimento de 8,3%, e os serviços, com previsão de avanço de 2%, são os pilares que devem sustentar o crescimento da economia brasileira. No entanto, a indústria de transformação, que inicialmente esperava uma alta de 1,9%, agora registra uma projeção de apenas 0,7%, menos da metade do esperado. Apesar disso, a indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo, teve sua projeção revista de 2% para 6,2%.
O desempenho da indústria de transformação é considerado um dos maiores desafios para a economia brasileira. O aumento da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15%, é apontado como o principal fator que tem impactado negativamente a demanda por bens industriais. A alta da Selic tem gerado uma queda nas concessões de crédito, que devem ter crescimento de apenas 5,5% em 2025, frente aos 11% registrados no ano anterior. Além disso, a desvalorização das exportações para os Estados Unidos, que caíram 21,4% nos meses de agosto e setembro, contribuiu ainda mais para a revisão das estimativas de crescimento do setor.
A CNI também alertou para o impacto das tarifas adicionais impostas pelos EUA e o aumento das importações no mercado nacional, que tem pressionado a indústria de transformação. O saldo comercial brasileiro, projetado para cair 8,2%, deverá refletir esse cenário de dificuldades para o setor industrial. A previsão de importações para 2025 é de US$ 287,1 bilhões, com um crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações devem alcançar US$ 347,5 bilhões, com um crescimento de 2,3%.
O setor da construção civil também foi impactado pela alta taxa de juros. Sua projeção de crescimento foi reduzida de 2,2% para 1,9%. Ambos os setores, tanto o de transformação quanto o de construção, têm grande peso na composição do PIB e contribuíram significativamente para a redução da expectativa de crescimento do setor industrial como um todo.
Por outro lado, o agronegócio e os serviços devem garantir o crescimento da economia. O setor agropecuário teve sua previsão ajustada de 7,9% para 8,3%, impulsionado pela safra acima do esperado. O setor de serviços, por sua vez, teve sua estimativa de crescimento revista de 1,8% para 2%, refletindo o aquecimento do mercado de trabalho e o aumento das despesas primárias do governo federal.
No que se refere ao mercado de trabalho e ao consumo, apesar da desaceleração na criação de empregos, a massa salarial deve crescer 5,4% em 2025, e o consumo das famílias tem uma projeção de avanço de 2,3%. O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, avaliou que o mercado de trabalho tem mostrado uma resistência inesperada diante das altas taxas de juros.
Em relação aos gastos públicos, a CNI espera um aumento nas despesas federais no segundo semestre de 2025, impulsionado pelo pagamento de precatórios e pela ampliação dos gastos discricionários. A previsão de crescimento dos gastos é de 3,5%, ligeiramente abaixo dos 3,7% projetados para 2024.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Brasil 61
Imagem: Iano Andrade / CNI
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