A Prefeitura de Belo Horizonte promoverá no sábado (6), das 8h30 às 18h, no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira – Cresan Mercado da Lagoinha, um dia especial dedicado às expressões culturais das Irmandades e Guardas do Rosário. O evento marca um momento decisivo no processo de reconhecimento dessas tradições como Patrimônio Cultural da Cidade, com a apresentação do Inventário Cultural e do Dossiê das Irmandades e Guardas do Rosário durante a 124ª Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte (CDPCM-BH).
Os documentos apresentados são resultado de uma ampla pesquisa realizada pela Prefeitura, entre maio de 2024 e outubro de 2025, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com a instituição AME Cultura e com as próprias comunidades do Rosário. Sob coordenação da Diretoria do Patrimônio Cultural, o estudo reconstruiu a trajetória das Irmandades e Guardas do Rosário, presentes na região desde o início do século XIX, ainda no Arraial do Curral Del Rey.
A pesquisa também descreveu o Ciclo Festivo das Guardas, celebrado de maio a novembro, envolvendo 38 grupos ativos em Belo Horizonte. Durante o período, as Guardas se visitam e realizam cortejos e celebrações, fortalecendo laços identitários e preservando tradições de matriz africana. O estudo destacou ainda os espaços fundamentais para a continuidade dessas práticas, como sedes, capelas, cruzeiros e acervos simbólicos compostos por coroas, espadas, bastões, estandartes e tambores.
A construção dos materiais contou com a consultoria de importantes lideranças das tradições do Rosário, como a Rainha Belinha (Isabel Casimira Gasparino), Mestra da Cultura Popular e Rainha do Congo de Minas Gerais, e o Capitão Geraldo Antônio da Silva, Mestre da Cultura Popular e Capitão Regente da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário. Dez jovens das comunidades também participaram da pesquisa, atuando na organização de acervos, realização de entrevistas e registros fotográficos.
Essa participação juvenil aconteceu por meio de parceria com a Associação Cultural e Artística Ouro Negro, coordenada por Claudia Magno. O trabalho incluiu o Ciclo Formativo das Irmandades do Rosário, uma metodologia que envolveu discussões sobre patrimônio cultural, técnicas de pesquisa e visitas técnicas ao Arquivo Público da Cidade e ao Museu Histórico Abílio Barreto, além de atividades de campo nas próprias Irmandades e Guardas.
A inclusão dos jovens atendeu a uma demanda das comunidades, que buscavam assegurar que a pesquisa refletisse seus olhares e fortalecesse o protagonismo das Guardas e Irmandades, além de incentivar a formação de novos pesquisadores vinculados a essas tradições.
Em junho de 2025, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já havia reconhecido os Saberes do Rosário — incluindo Reinados, Congados e Congadas — como Patrimônio Cultural do Brasil. Agora, o Inventário Cultural e o Dossiê de Registro apresentados em Belo Horizonte reforçam as especificidades, memórias e significados das expressões culturais praticadas pelos grupos da capital.
A secretária municipal de Cultura, Eliane Parreiras, ressaltou que o momento representa um marco na política de preservação da cidade. “O reconhecimento das Irmandades e Guardas do Rosário como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte reafirma o compromisso do município com a valorização de sua memória. Ao fortalecer nossos instrumentos de proteção, promoção e fomento, avançamos na construção de uma cidade que respeita, celebra e salvaguarda os saberes que moldam sua história e identidade”, afirmou.
Para Bárbara Bof, presidenta da Fundação Municipal de Cultura, o reconhecimento é também um gesto de respeito à ancestralidade. “As Irmandades e Guardas do Rosário são parte viva da história da cidade, guardiãs de uma herança que atravessa gerações e mantém pulsante a força das celebrações e da ancestralidade negra. Celebrar essas expressões como patrimônio é reconhecer comunidades que preservam tradições fundamentais para nosso pertencimento coletivo.”
Programação
A programação começa às 8h30, com a recepção às Irmandades e Guardas. A Reunião Extraordinária do CDPCM-BH acontece das 10h às 12h, com análise e deliberação sobre o Inventário e o Dossiê de Registro.
Das 12h às 18h, o público poderá acompanhar o cortejo e a confraternização das Guardas, em um momento de celebração, troca e afirmação das tradições de matriz africana que compõem a memória cultural de Belo Horizonte.
Além de apresentar os resultados da pesquisa, o evento traz ao público um panorama histórico e a caracterização do Ciclo Festivo, indicado para Registro no Livro das Celebrações. A iniciativa consolida-se como espaço de valorização e fortalecimento das Irmandades e Guardas do Rosário, destacando sua contribuição histórica, cultural e identitária para a cidade.
Inventário Cultural
O Inventário Cultural e o Dossiê de Registro Imaterial são etapas fundamentais no processo de reconhecimento de um bem como Patrimônio Cultural do Município. Eles reúnem informações sobre mestres, grupos, celebrações, saberes e lugares que constituem as práticas culturais, além de identificar riscos e indicar ações de salvaguarda necessárias à continuidade dessas tradições.
Após avaliação do CDPCM-BH, o rito de reconhecimento será concluído, consolidando mais um passo da cidade na preservação de seu patrimônio imaterial.
Da redação do Jornal Panorama com informações e foto da Prefeitura de Belo Horizonte
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