“NÃO SE PRESERVA A MEMÓRIA DE UM POVO

SEM O REGISTRO DE SUA HISTÓRIA”

O Banco de Leite Humano (BLH) da Maternidade Odete Valadares (MOV), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), registrou baixo número de doações neste mês de janeiro, ocasionando uma significativa queda no estoque de leite humano pasteurizado. Referência em Minas Gerais, o BLH atende bebês internados na unidade e em outros hospitais parceiros do estado – e conta normalmente com um estoque de cerca de 900 frascos de 300 ml cada. No entanto, no momento o estoque possui apenas 100 frascos de leite. A situação vem preocupando os profissionais que temem não conseguir atender à demanda.

“É comum essa queda em períodos de férias, mas temos percebido uma baixa cada vez maior, até mesmo no número de doadoras ativas ao longo do ano”, relata a coordenadora do BLH da MOV, Karine Antunes.

Ato de amor

Brenda Lorrane Oliveira Antônio é mãe de três crianças – Lorenzo (6), Lorena (4) e Laura (8 meses) – e doadora pela segunda vez. Na primeira oportunidade, ela doou seu leite por 18 meses. Agora, após o nascimento da sua caçula, já são oito meses ordenhando por uma causa maior.

“Meu primeiro filho nasceu com apenas 29 semanas, pesando 885 gramas. Em razão da prematuridade, saúde frágil e várias incertezas, a única coisa que eu podia fazer por ele era garantir que recebesse o leite materno. Na maternidade em que ele nasceu não havia banco de leite, então essa responsabilidade era integralmente minha. Foi quando entendi o valor de cada gota de leite em sua recuperação – ainda que fossem apenas 2ml, que era o que ele recebia via sonda, inicialmente”, recorda Brenda.

Após o nascimento da sua segunda filha, que veio ao mundo no Dia Mundial de Doação de Leite Humano, ela iniciou o seu ato de amor doando pela primeira vez. “Vi essa informação durante o trabalho de parto e foi o que me motivou a fazer o cadastro”.

Hoje, já experiente, ela ressalta a importância da doação. “Depois que conseguimos encaixar a ordenha do leite na rotina, fica cada vez mais fácil doar. É um ‘trabalho’ recompensador. Só quem já esteve em uma UTI Neonatal sabe o significado de quando nos dizem que ‘toda gota importa’. A doação de leite materno pode ser ponto decisivo no futuro de cada um daqueles bebês”, afirma ela, que se diz privilegiada por poder doar. “É uma felicidade inexplicável saber que estou ajudando quem precisa com algo que me custa tão pouco. Por isso, eu sempre digo: doe leite! Muitas vezes queremos ajudar o próximo e não sabemos por onde começar. O leite humano é gratuito e pode mudar uma vida”.

Facilidade

Recentemente, o cadastro de doadoras para o Banco de Leite Humano, assim como a marcação de consultas para mulheres com dificuldades ao amamentar, passou a ser realizado por meio do Portal MG e do aplicativo MG app.

A mudança, realizada pelo Governo de Minas, busca simplificar e ampliar o acesso de doadoras e usuárias e aumentar os estoques do banco de leite que estão abaixo do necessário neste momento.

Como fazer

Para marcar consulta ou se cadastrar como possível doadora de leite no Portal MG, as mães devem entrar utilizando o login da conta GOV.BR. O sistema tem aparência intuitiva para evitar dificuldades na hora de se inscrever.

O processo para a marcação de consulta para receber orientações sobre a amamentação é simples: depois de fazer o login, basta escolher o dia e o horário convenientes e a unidade hospitalar mais próxima de sua casa.

Para a doação de leite, a interessada deve preencher um formulário on-line com dados sobre sua saúde e anexar os exames médicos requeridos pelo Ministério da Saúde para possíveis doadoras – os mesmos do pré-natal. As informações são enviadas para o banco de leite ou para o posto de coleta para avaliação e, após a análise, as mulheres recebem, por e-mail, o resultado informando se estão aptas ou não a doar. Em seguida, as doadoras receberão uma ligação da equipe do BLH ou do posto de coleta.

“O cadastro é simples, sem burocracia. Buscamos o leite na casa da doadora e fornecemos todos os materiais necessários, como vidros, toucas, máscaras e etiquetas. Esperamos que o novo sistema de cadastro possa otimizar as doações. No entanto, as mulheres que não quiserem fazer o processo on-line podem fazer também por telefone ou presencial, como a doadora achar melhor”, esclarece a coordenadora do banco de leite.

As mães que tiverem interesse em ser doadoras ou apresentarem dificuldades em relação ao aleitamento materno também podem entrar em contato com o Banco de Leite Humano da MOV pelos telefones (31) 3298-6008 ou 3337-5678, de segunda à sexta-feira, das 8h às 12h ou das 13h às 17h.

Segurança

O leite doado passa por várias etapas rigorosas de seleção e análises microbiológicas até ser pasteurizado e estar pronto para distribuição, obedecendo a legislação da Anvisa e do Ministério da Saúde, garantindo toda a segurança para quem doa e recebe o leite.

Toda doação é destinada aos bebês prematuros e prematuros extremos, que estão internados na UTI Neonatal ou na Unidade de Cuidados Intermediários da MOV e de outras unidades parceiras de Minas Gerais. “Atualmente, na neonatologia temos mais de 45 prematuros que podem ser beneficiados, além dos bebês internados no alojamento conjunto e demais alas da maternidade”, ressalta Karine.

Benefícios

O leite humano possui inúmeros benefícios imunológicos, protegendo contra alergias, infecções, intolerâncias, além de promover benefícios à visão, ao desenvolvimento do perímetro cefálico (crescimento da cabeça), entre outros.

“A doação de leite ajuda a salvar a vida dos bebês prematuros, é o melhor alimento para eles, pois trata-se de um leite que contém todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento dos bebês” explica a coordenadora do BLH.

Postos de coleta

A Fhemig possui dois postos de coleta em suas unidades:

Hospital Júlia Kubitschek: (31) 3389-7880

Hospital Regional João Penido (Juiz de Fora): (32) 3691-9500

Fonte: Ascom Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig)

Foto: Larissa Sampaio por Pixabay