Solidário

Solidário

SOLIDÁRIO

Era uma flor caída

em desamor total.

E era Primavera…

Mas a flor, efêmera, quimera,

fora arrancada e atirada

ao chão – lugar nenhum…

Era uma flor tombada, violentada

e semimorta,

caída ao rés do chão…

e era Primavera então.

E era uma flor caída,

decaída e tão traída

corrompida e emurchecida,

só por maldade de humanas mãos…

E era uma flor sem pétalas,

sem sépalas,

era uma flor-separação.

E era uma flor-tormento

tombada, massacrada,

e triste ao relento.

Mas alguém a viu  pisada,

sangrando, macerada,

e sofreu a agonia e vida e morte

dessa flor…

E na concha da mão,

com tanto carinho,

ergueu-a para a sombra

 e lhe deu um ninho

numa folha – leito e coração…

E ali, então, a pobrezinha repousou…

O Tempo era plena Primavera

 e quem a amou um Poeta era…

e em silêncio , por dentro,

ele chorou…

Do Livro:  “ROSA-DOS-VENTOS…A POESIA QUE O TEMPO TRAZ” – POESIAS

Editora: SCORTECCI EDITORA (Grupo SCORTECCI)  – SP –SPPágs: 45-46

A Espera

A Espera

A ESPERA

            Três décadas se passaram. Leonardo é hoje uma das maiores autoridades no mundo em Preservação Ambiental Planetária. Estudou muito e é Doutor neste assunto; faz Conferências e dá Palestras nas maiores Universidades da Terra. Criou três ONGs, onde trabalham muitos mensageiros. Todos acreditam e pregam que a Terra tem solução. São responsáveis pela Educação de gerações que cuidam em salvar nosso Planeta.

            Recentemente, em seus estudos, Leonardo verificou a evolução de algumas catástrofes eminentes. O derretimento das geleiras polares comprometerá fatalmente a sobrevivência de cidades litorâneas. Fica triste ao perceber que o Homem ainda não compreendeu a obviedade dos fatos e nem o quanto a Vida é importante.

            Ele sofre porque tem amigos e parentes que vivem em cidades praieiras e que não acreditam que catástrofes possam acontecer no Brasil… Muitos são os incrédulos e ele sabe que estes pagarão um preço demasiadamente alto por seu desconhecimento e sua irresponsabilidade para com a Vida no Planeta.

            Vê, com apreensão “o sertão virar mar e o mar sertão”. Sabe, acima de tudo, da enormidade de sua missão em relação à regeneração da Vida na Terra. Conhece e ensina o quanto vale o Brasil no contexto da Vida Planetária, devido ao Aquífero Guarani, o mais fantástico reservatório de água potável do Planeta.

            Em noites estreladas, vai para o varandão da fazenda e sonda o céu, na busca ansiosa, quem sabe, de algum sinal. A mãe, já viúva há anos, é sua companheira e confidente. Em seu coração, mora um amor incondicional pelo filho e ela questiona o porquê da escolha do mesmo para a Missão. Mas sabe também que “a Inteligência Cósmica sopra onde quer…” E isso foge à força humana de recusa a uma escolha.        

   E ela, mesmo sem compreender bem, agradece a vida de Leonardo e aceita que se cumpra a Vontade Superior, pelo bem de todos os seres. Seu coração-relicário de segredos do filho – entende e ama o mistério insondável que vivifica o Cosmos…

Do Livro: “OS MENSAGEIROS”- CONTO

*Menção Honrosa na Categoria Infanto-Juvenil

 II Prêmio de Literatura União Brasileira de Escritores – UBE/SCORTECCI

Tema: “A Sobrevivência no Planeta Terra”

2008 –  Ano Internacional do Planeta Terra

Editora: SCORTECCI (Grupo SCORTECCI) – SP

Fragmento do Conto – pp. 65 – 66

Elegia Irônica… (Estes Tempos…)

Elegia Irônica… (Estes Tempos…)

ELEGIA IRÔNICA… (ESTES TEMPOS…)

O Tempo escoa célere

 e consigo vem trazendo

os fantoches

– brinquedos de Deus –

a gente

Por entre

os Sacrossantos Dedos

fina areia desliza

e avisa

da efemeridade de tudo

O Inexorável

Não dá pra agarrar

 o instante que passa

– esta farsa –

E esta impotência

diante de tudo

em vórtice medonho

desnorteia e a Vida afluir

serpenteia

Mas há o ruir dos Sonhos

Cede-se e serve-se

aos Poderosos

o livre-arbítrio

E fazem da gente

brinquedo na Vida

peteca pingue-pongue panqueca ioiô

bexiga furada em festança

O “POU” da explosão

O ‘PÔ”… mas que é isso?!?!?!

E eu… PÔ”…

vou chutando desencantos

por aí:

 latas vazias de Esperanças

E a Vida desliza

por entre

os Sacrossantos Dedos

em fios prateados…

Na ponta

a gente

o povo

o engano…

“Ah.. Senhor…

Eu não compreendo

os Teus Sagrados Desígnios…” E calou-se, então, o Poeta…

Do livro: “GERAÇÕES POÉTICAS … DNA ARTÍSTICO” – ANTOLOGIA POÉTICA  DE FAMÍLIA

9 Autores – Págs. 128 – 129 – BAEPENDI –  MG

Editora/Gráfica SEGRAN

Apocalíptico

Apocalíptico

Do livro:  “NUANCES DE POESIA”  – POESIAS

Editora: O ESCRIBA – Editora Multimidia de Artes Gráficas – BH – MG

Págs 43-44

Antologia Feminina com 7 Poetisas Baependianas: 10 Poemas de cada Autora

*Conceição Vitor

*Iná Brasílio de Siqueira

*Mara Mastrogiovanni Faria

*Maria José Turri Nicoliello

*Maria de Fátima Medeiros Monteiro

*Selma Haydée Ferreira

*Zélia Maciel Ferreira

APOCALÍPTICO

Não…

Estes difíceis tempos

Não são meus

não os pedi

e não os mereço

Terriveis

apavorantes

chegam assim

de graça

borbulhantes

 de dor e incerteza

ofertados

na bandeja do Eterno

Tudo explode

Tudo implode

E que ironia:

– Há o pensamento livre

mas o gesto aprisionado

E engolem-se os frutos

acres

amargos

em fel sazonados

de

um

antipasso

um descompasso

e um antitempo

E deve sobreviver  o SER

amargo

acre

fruto de um antitempo

um

antipasso

descompasso

Um ANTI-SER…

Transversal de Eva

Transversal de Eva

 Do LivroTRANSVERSAL DE EVA”- POESIAS

Editora: O ESCRIBA (FUNDO DE QUINTAL) – BH -MG

Pág. 18

*Poesia que deu nome ao Livro:

 TRANSVERSAL DE EVA

E há que se abraçar do sol a sol

a luta de cada novo dia

Há a doçura de um Sim

e o amargor de um Não

e a premente necessidade de pão

e dos filhos a inocência e a alegria

E há que se enfrentar da luta o desafio

do trabalho do escritório  da cozinha e das ruas

E há o suor e os calos do desassossego

O medo do Amanhã e esperanças nuas

E há que se manter no lar acesa

a chama da proteção e segurança aos filhos

regar os Sonhos que vicejam a cada canto

e no olhar a Fé  e no olhar o brilho

desta doçura feita acalanto

E há as mãos para tecerem fios-carinhos

  uma cabeça pensante que por demais se agita

E há a certeza do Agora e esta alma aflita

que por vezes tantas ri e chora

E há o Tempo – caçador e presa-

As paredes refúgio a cama e a a mesa

 E o tão pouco espaço  pro voo mais alto

dos Sonhos-poemas que já andam escassos

E há o Homem o amor o companheiro

– eterna criança grande solicitando o abraço –

 E o cumprimento da bíblica sentença:

– O amor aos filhos a dor e o cansaço

E há na boca ainda o gosto da maçã

o mesmo antigo medo da serpente

e há que se parir o Amanhã

 e cumprir a milenar sentença

eternamente…

Por Iná Brasílio