O Governo de Minas Gerais retomou, em outubro deste ano, as obras do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete, um empreendimento estratégico para a ampliação da rede de saúde no estado. A iniciativa contou com apoio técnico decisivo da Controladoria-Geral do Estado de Minas Gerais (CGE), que realizou duas auditorias preventivas para avaliar, entre outros pontos, a regularidade do processo licitatório e, posteriormente, da contratação do remanescente da obra.
As análises conduzidas pela CGE tiveram como foco assegurar a conformidade legal, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos. A partir das recomendações emitidas pelo órgão de controle, as secretarias de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e de Saúde (SES) puderam avançar com segurança jurídica e administrativa, culminando na assinatura da ordem de início das obras. Quando concluído, o hospital deverá beneficiar diretamente mais de 800 mil moradores de 51 municípios da região, ampliando o acesso a atendimentos especializados e reduzindo a sobrecarga em unidades de saúde de cidades vizinhas.
O caso do Hospital Regional de Conselheiro Lafaiete exemplifica como as auditorias preventivas têm se consolidado como ferramentas estratégicas de gestão pública. Ao antecipar riscos, identificar fragilidades e orientar correções antes da execução de contratos e políticas, esse modelo contribui para evitar fraudes, desperdícios e paralisações de obras, além de garantir maior eficiência na utilização do dinheiro público.
Somente em 2025, a CGE já concluiu 33 auditorias no órgão central. Mais do que apontar inconsistências, esses trabalhos avaliam a eficiência de programas e serviços do Estado, sugerem melhorias nos processos de gestão e acompanham a implementação das recomendações junto aos gestores responsáveis. O objetivo é assegurar que as políticas públicas entreguem resultados concretos à população mineira.
Segundo a controladora-geral do Estado, Marcela Ferreira Dias, a atuação da CGE passou por uma evolução significativa nos últimos anos, deixando de ser predominantemente reativa para assumir um perfil cada vez mais preventivo, orientador e estratégico. “O objetivo é apoiar os gestores públicos na tomada de decisões, no fortalecimento dos controles internos, na mitigação de riscos e na ampliação dos resultados das políticas públicas para a sociedade”, destacou.
Trilhas de Futuro sob análise
Outro exemplo dessa atuação é a auditoria realizada no programa Trilhas de Futuro, uma das principais iniciativas do Governo de Minas voltadas à qualificação profissional de jovens e adultos. O trabalho da CGE teve como finalidade avaliar os controles adotados e a robustez da governança do programa. Entre as principais recomendações estão o aprimoramento das funcionalidades do Sistema de Gestão Trilhas de Futuro e a melhoria e padronização da instrução processual, incluindo planos de fiscalização, relatórios circunstanciados, relatórios do serviço de inspeção e atestes.
As medidas propostas buscam fortalecer o gerenciamento de riscos, os controles internos e a governança do programa, além de promover maior integração entre sistemas e processos, reduzindo vulnerabilidades e prevenindo irregularidades.
Alimentação escolar e agricultura familiar
Na área da segurança alimentar, a CGE também conduziu uma auditoria de desempenho no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar destinados à alimentação escolar. O levantamento identificou avanços relevantes, como o cumprimento do percentual mínimo de compras da agricultura familiar e o aumento da participação de produtores locais, o que contribui para o desenvolvimento econômico regional e para a oferta de alimentos mais frescos e diversificados nas escolas.
Por outro lado, a auditoria apontou fragilidades estruturais e operacionais que podem comprometer a eficiência do programa. Entre elas, a necessidade de maior padronização de processos, definição de indicadores claros de desempenho e ampliação da equipe técnica. Diante disso, a CGE apresentou sugestões de melhorias e um plano de ação que inclui a implantação de sistemas informatizados e o fortalecimento da capacidade operacional, com foco em garantir mais transparência, eficiência e segurança alimentar.
Acompanhamento e resultados
O auditor-geral do Estado, Thiago Alves Machado, ressalta que o trabalho da CGE não se encerra com a emissão dos relatórios. Após a conclusão das auditorias, o órgão atua em conjunto com os gestores na elaboração de planos de ação e acompanha a execução das medidas recomendadas. “A adoção das recomendações é fundamental para aprimorar a gestão dos programas, assegurar o cumprimento da legislação e garantir que as políticas públicas gerem resultados efetivos para a sociedade”, afirmou.
Reconhecimento internacional
O fortalecimento institucional da CGE também se reflete no reconhecimento internacional. A Controladoria-Geral do Estado foi o primeiro órgão do Poder Executivo brasileiro a alcançar o nível 3 do IA-CM (Internal Audit Capability Model), certificação que avalia a maturidade e a eficiência das atividades de auditoria governamental em âmbito internacional.
O selo atesta que a CGE atua de forma integrada, planejada e estratégica, consolidando o Governo de Minas como referência nacional em controle interno, governança e gestão de riscos.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Agência Minas
Foto: CGE/ Divulgação
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