Pacientes com urticária crônica espontânea (UCE) enfrentam dificuldades para obter diagnóstico e tratamento adequado, tema debatido em Belo Horizonte nesta terça-feira (25/11/25), em audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião, convocada pela deputada Lud Falcão, destacou o caso da dentista Ana Caroline Ferreira da Silva, de 27 anos, que convive com crises desde a infância e só recebeu diagnóstico correto há quatro anos.
Sem protocolo clínico no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento da UCE depende majoritariamente de judicialização. Ana Caroline relatou crises intensas e recorrentes, que a deixaram incapacitada por longos períodos, até conseguir acesso ao omalizumabe, medicamento imunobiológico de alto custo. Especialistas afirmaram que pacientes são submetidos a terapias ultrapassadas, como corticoides e anti-histamínicos sedativos, sem eficácia para os casos graves.
Médicos explicaram que a ausência de um protocolo clínico estadual gera interrupções no tratamento, compras fragmentadas de medicamentos e demora na liberação judicial. Atualmente, 602 pacientes recebem omalizumabe em Minas Gerais por decisão judicial, a um custo anual de mais de R$ 53 mil por pessoa. Estudos apresentados indicam que a adoção de um fluxo assistencial poderia reduzir esse valor para cerca de R$ 14,4 mil por paciente ao ano.
A deputada Lud Falcão defendeu a criação de um grupo de trabalho para elaborar protocolo clínico estadual e apresentou nota técnica à Secretaria de Estado de Saúde, além de anunciar que apresentará um projeto de lei para garantir o fluxo de tratamento pelo SUS e capacitação de profissionais de saúde.
Da Redação
Com informações da ALMG
Foto: Elizabete Guimarães
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