Pacientes e especialistas relataram, nesta quinta-feira (4/12/25), em Belo Horizonte, atrasos de até quatro meses na entrega de medicamentos fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), durante audiência pública da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Embora representantes do governo tenham apresentado um cenário de aparente normalidade no abastecimento, usuários e médicos apontaram a burocracia como o principal entrave para o acesso aos tratamentos.
O debate concentrou-se nos medicamentos para esclerose múltipla, fibrose cística e câncer. Parentes e associações relataram dificuldades recorrentes, destacando que remédios de alto custo são, muitas vezes, a única alternativa terapêutica disponível. Pacientes denunciam incertezas, demora nas análises de solicitações e entraves relacionados à atualização de laudos e protocolos clínicos.
A SES afirmou seguir as diretrizes e pactuações federais e municipais, garantindo que não há desabastecimento generalizado, mas reconheceu falhas em fluxos de informação e processos de compra, especialmente no caso da fibrose cística e de novos medicamentos incorporados ao SUS. Profissionais de saúde, entretanto, alertaram que a demora na liberação de prescrições, a necessidade de remarcação de consultas e a falta de planejamento no pedido de medicamentos prejudicam diretamente os tratamentos.
Representantes de hospitais e entidades reforçaram que a falta de um estoque estratégico e a lentidão na atualização de documentos levam à defasagem entre a demanda real e a registrada pelo sistema, comprometendo o acesso dos pacientes. Os apontamentos devem subsidiar novos encaminhamentos da comissão.
Da Redação
Com informações da ALMG
Foto: Guilherme Dardanhan
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