A 80ª Assembleia Geral da ONU teve início nesta terça-feira (23) em Nova York, em meio a divisões acentuadas no cenário internacional e a uma visível ruptura diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O evento ocorre em um contexto de reconfiguração geopolítica, com países adotando posições cada vez mais claras em relação à nova ordem global.
Segundo a doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo, ouvida pela CNN, os discursos de abertura de Brasil e EUA refletem essa divergência. Enquanto o Brasil reforça o multilateralismo e a cooperação internacional, os Estados Unidos tendem a adotar uma retórica centrada em seus próprios interesses estratégicos. A tensão entre os dois países, intensificada por sanções recentes de Washington contra autoridades brasileiras, ajuda a ilustrar esse cenário.
Entre os temas prioritários da Assembleia estão o reconhecimento do Estado palestino, defendido por um número crescente de nações, e a crise climática, com destaque para o papel do Brasil na preparação da COP30 em Belém (PA). Outros assuntos incluem desigualdade social, inteligência artificial, migrações, a expansão dos BRICS e a de-dolarização da economia global.
A ONU completa 80 anos sob questionamentos sobre sua capacidade de enfrentar os desafios contemporâneos. A especialista destaca a obsolescência do Conselho de Segurança e os ataques ao multilateralismo como fatores que enfraquecem a instituição, embora reconheça sua relevância contínua por meio das ações de agências especializadas e programas de desenvolvimento global.
Da Redação Com informações da CNN Brasil
Foto: AFP
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