Quatro pessoas morreram na queda de um avião de pequeno porte na cidade de Aquidauana, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, a aproximadamente 150 quilômetros de Campo Grande, no final da tarde de terça-feira (23). Entre as vítimas está o arquiteto chinês Kongjian Yu, considerado um dos urbanistas mais influentes da atualidade, estava entre os mortos. Yu é reconhecido mundialmente por criar o conceito das chamadas cidades-esponja, um modelo urbano que utiliza a própria natureza para aumentar a resiliência das cidades frente a inundações e eventos climáticos extremos. Suas soluções priorizam áreas permeáveis, vegetação nativa e a integração de sistemas naturais de drenagem, reduzindo significativamente os danos provocados por enchentes. O urbanista já aplicou o conceito em mais de mil projetos distribuídos por cerca de 250 localidades no mundo.
O piloto da aeronave, Marcelo Pereira de Barros, também morreu no acidente. As outras duas vítimas são Luiz Fernando Ferraz, cineasta brasileiro indicado ao prêmio Emmy Internacional em 2023 pelo documentário “Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia”, e Rubens Crispim Jr., diretor de fotografia e parceiro de Ferraz em produções audiovisuais. O grupo estava no Pantanal para gravações do documentário “Planeta Esponja”, que abordaria o trabalho de Kongjian Yu e seu conceito inovador de cidades resilientes.
A aeronave envolvida era um Cessna Aircraft 175, de prefixo PT-BAN, pertencente ao piloto Marcelo Pereira de Barros. Investigadores do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV), órgão vinculado ao CENIPA, estiveram no local coletando informações e materiais que possam esclarecer as causas do acidente. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que, devido à complexidade da ocorrência, ainda não é possível prever um prazo para a conclusão do inquérito, mas assegurou que o objetivo é evitar futuras tragédias similares, sem apontar responsabilidades individuais.
A empresa Olé Produções, fundada por Luiz Ferraz, confirmou oficialmente a morte de Yu, Barros, Ferraz e Crispim. Em nota, destacou a importância do projeto audiovisual em que trabalhavam, ressaltando que a visita de Yu ao Pantanal foi um pedido especial, já que ele não conhecia a região. A produção buscava registrar inovações urbanísticas e ambientais com impacto global, ligando a experiência de Yu à realidade ambiental brasileira.
O Ministério da Cultura lamentou a morte de Luiz Ferraz, destacando sua dedicação aos documentários e sua contribuição significativa para o cinema brasileiro. Segundo a pasta, sua obra audiovisual é referência na busca por novas linguagens e narrativas cinematográficas, consolidando um legado de criatividade e relevância cultural.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU) também emitiu nota de pesar pela morte de Yu, ressaltando sua trajetória como referência mundial em planejamento urbano ecológico e premiado internacionalmente. Entre os reconhecimentos recebidos estão o IFLA Sir Geoffrey Jellicoe Award (2020), o Cooper Hewitt National Design Award (2023) e o RAIC International Prize (2025). O CAU destacou ainda que a participação de Yu na recente conferência internacional em Brasília, promovida pelo Conselho, trouxe à tona soluções transformadoras para as cidades do futuro, reforçando sua influência em políticas públicas ambientais e urbanísticas.
Yu esteve recentemente no Brasil em diversos compromissos acadêmicos e profissionais. Em junho de 2024, participou de seminário promovido pelo BNDES sobre reconstrução de cidades devastadas por desastres naturais, compartilhando experiências internacionais sobre urbanismo sustentável. Em setembro de 2025, participou da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, onde ministrou conferência sobre cidades-esponja, defendendo soluções baseadas na natureza para enfrentar enchentes urbanas e os efeitos da crise climática.
O conceito das cidades-esponja surgiu da observação de Yu sobre os problemas causados pelo crescimento desordenado e pela chamada “infraestrutura cinza”, que canaliza rios e impermeabiliza áreas urbanas, aumentando os riscos de enchentes. Por meio do paisagismo e do planejamento urbano inteligente, ele propõe que grandes áreas absorvam água de maneira controlada, transformando enchentes em processos gerenciáveis e reduzindo o impacto sobre áreas habitadas.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Agência Brasil
Foto: Ascom | CAU/BR
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