Desde o fim de junho, farmácias e drogarias de todo o Brasil passaram a adotar novas regras para a venda dos medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — compostos à base de agonistas do GLP-1, substâncias usadas no tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, na perda de peso.
A medida foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e entrou em vigor 60 dias após sua aprovação pela diretoria colegiada, em abril. Agora, a prescrição deve ser feita em duas vias, e a receita precisa ser retida pela farmácia, como já ocorre com antibióticos.
Segundo a Anvisa, a receita tem validade de 90 dias e farmácias devem registrar a movimentação de compra e venda no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), fortalecendo o controle e evitando abusos.
Uso off label permanece permitido
Apesar da mudança, a agência manteve o direito de médicos prescreverem os medicamentos para fins diferentes dos previstos em bula — o chamado uso off label. A decisão, no entanto, exige responsabilidade profissional e consentimento claro do paciente.
Alerta contra o uso indiscriminado e manipulado
A medida atende a pedidos de entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. As instituições vinham alertando sobre o uso indiscriminado desses medicamentos e a automedicação, que colocam em risco a saúde da população e dificultam o acesso de pacientes que realmente precisam do tratamento.
Outro ponto de preocupação são as versões manipuladas ou de origem alternativa, amplamente comercializadas fora das farmácias e sem comprovação de segurança. As entidades médicas alertam que a produção de medicamentos como semaglutida e tirzepatida exige altos padrões de qualidade, esterilidade e estabilidade — critérios que não são garantidos em fórmulas manipuladas, especialmente as vendidas online ou em consultórios sem aval da Anvisa.
Recomendações ao público e profissionais
As entidades de saúde recomendam:
- Não prescrever ou utilizar versões manipuladas dos medicamentos;
- Adquirir apenas produtos certificados e aprovados pela Anvisa, vendidos em farmácias regulares;
- Que órgãos fiscalizadores reforcem o combate à venda irregular e ao uso inseguro dos medicamentos.
A nova política busca proteger os pacientes e garantir o uso racional dos medicamentos, diante do crescimento acelerado da demanda pelas “canetas emagrecedoras”, muitas vezes impulsionada por modismos nas redes sociais.
Por Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Agência Brasil
Foto: Pixabay
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