O grupo musical pernambucano Ave Sangria, que teve um disco censurado durante a ditadura militar em 1974, será indenizado pelo Estado brasileiro. A decisão foi aprovada em 26 de março pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em reconhecimento às perseguições sofridas pelos integrantes da banda.
A Ave Sangria, uma das bandas mais representativas da psicodelia pernambucana, teve sua carreira interrompida após a censura de seu disco que incluía a música “Seu Waldir”, com letra sobre o amor entre dois homens. Na época, o governo militar considerou a letra como atentado à moral e aos bons costumes, determinando o recolhimento de todos os discos das lojas. O impacto da censura foi severo: o segundo disco da banda foi cancelado pela gravadora, o grupo se desfez e só retomou suas atividades na década de 2010.
De acordo com o conselheiro da Comissão de Anistia, Manoel Moraes, o processo reuniu provas das perseguições sofridas pelos músicos, resultando na concessão de indenização vitalícia de R$ 2.000 por mês, acrescida do retroativo desde a data do protocolo. Moraes destacou, no entanto, que o valor não é capaz de reparar integralmente os danos causados pela repressão à banda.
O caso da Ave Sangria evidencia a importância do reconhecimento histórico das vítimas da ditadura militar e da proteção à liberdade de expressão e artística. A decisão da Comissão de Anistia reforça o compromisso do Estado com a memória, a reparação e a valorização da diversidade cultural, reconhecendo o impacto duradouro da censura sobre a trajetória de artistas e grupos musicais.
Fonte: Agência Brasil/ foto: Sarah Quines
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