O Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), revela um cenário preocupante para a saúde dos brasileiros. Pela primeira vez, os dados coletados em 2024 foram confrontados com os novos padrões estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os resultados indicam que a maioria dos poluentes atmosféricos monitorados está acima dos limites intermediários de segurança estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
As medições levam em conta a presença de substâncias como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e materiais particulados finos, que possuem alta capacidade de penetração nos pulmões e na corrente sanguínea.
Minas Gerais em destaque nos índices de poluição
O estado de Minas Gerais figura em posições críticas no levantamento nacional, especialmente no que diz respeito ao ozônio (O₃). Segundo o relatório, as maiores magnitudes de aumento na concentração deste gás foram observadas em estações mineiras, atingindo uma média de 11% de elevação nas medições.
Outro dado alarmante para o estado refere-se ao material particulado inalável. Enquanto São Paulo registrou uma tendência de redução, Minas Gerais apresentou o maior aumento desse poluente no país, com um índice de 8% detectado em uma estação de monitoramento localizada dentro de uma unidade escolar.
Desafios no monitoramento e governança
Apesar da ampliação da rede de monitoramento, que conta agora com 570 estações em todo o país (um aumento de 44% em relação a 2022), o relatório aponta falhas graves na transparência e no envio de dados por parte dos estados ao Sistema Nacional MonitorAr. Muitas estações cadastradas constam como inativas ou não tiveram seu status informado, o que pode gerar subnotificações sobre os reais riscos à população.
Especialistas alertam que o relatório ainda precisa evoluir para captar os “picos de poluição” diários, que muitas vezes são diluídos nas médias anuais, mas que causam impactos imediatos na saúde respiratória dos cidadãos.
Necessidade de planos de contingência
Os resultados reforçam a urgência na implementação de Planos Estaduais de Gestão da Qualidade do Ar. O MMA destaca que é necessário fortalecer as estratégias integradas de controle de emissões e expandir as redes de monitoramento para áreas ainda desassistidas.
A Política Nacional de Qualidade do Ar, instituída em 2024, é vista como o primeiro passo para criar um arcabouço legal que permita aos governos estabelecerem planos de contingência em dias de poluição crítica, protegendo grupos vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Da Redação do Jornal Panorama, com informações da Agência Brasil
Foto: Joédson Alves
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