O desfile do Arranco do Engenho de Dentro pela Série Ouro do carnaval carioca, na noite do último sábado, foi marcado por emoção, memória e representatividade. A escola levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Gargalhada É o Xamego da Vida”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon, e transformou a avenida em um grande circo para contar a história da Palhaça Xamego, pioneira negra que desafiou padrões e conquistou espaço nos picadeiros.
Além do enredo, o desfile destacou o protagonismo feminino da agremiação, dentro e fora da pista, reforçando a identidade da escola na disputa por uma vaga no Grupo Especial em 2027.
Um dos momentos mais marcantes do desfile foi a presença de Laísa Lima, filha do baluarte do samba Laíla, que conduziu a bateria do Arranco pela Sapucaí. Ela é a única mestra de bateria do carnaval carioca, e sua atuação transformou a avenida em palco de um momento histórico para a representatividade feminina no samba.
Ao cruzar a Sapucaí no comando dos ritmistas, Laísa simbolizou a força e a presença das mulheres em posições tradicionalmente ocupadas por homens, projetando a imagem de um futuro em que a liderança feminina nas baterias se torne regra, e não exceção.
Homenagem à Palhaça Xamego e narrativa de resistência
O enredo homenageou Maria Eliza Alves dos Reis, conhecida como Palhaça Xamego, pioneira negra que precisou se vestir como palhaço homem para conquistar espaço no circo em um período de fortes restrições sociais. A história foi apresentada como símbolo de resistência, ruptura de padrões e abertura de caminhos para novas gerações.
Ao aproximar a trajetória de Xamego da atuação de Laísa Lima, o Arranco construiu uma narrativa que uniu memória, cultura popular e protagonismo feminino, transformando o desfile em um gesto político, afetivo e cultural.
Entre o riso do picadeiro e a força dos tambores, o desfile do Arranco do Engenho de Dentro reforçou a importância da diversidade e da presença feminina na cultura do samba. A passagem de Laísa Lima pela avenida consolidou a representatividade como som, gesto e permanência, marcando um capítulo simbólico na história do carnaval carioca.
Da Redação do Jornal Panorama
Com informações do portal Carnavalesco
Foto: Danilo Filme via instagram @laisalimadk
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