Em Ouro Preto, a Casa de Cultura Negra deu continuidade, na segunda-feira, 5 de janeiro, à programação que integra a Festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito, celebrada de 4 a 11 de janeiro de 2026 no município. As atividades culturais acompanham o calendário religioso e reforçam a valorização das tradições das irmandades negras que marcaram a história do antigo território de Vila Rica.
A noite foi aberta com a exibição do documentário Que Bandeira Bonita que Bandeira é Essa, produção audiovisual que aborda o reencontro de uma bandeira de mastro confeccionada em ferro, relíquia que havia desaparecido há séculos na cidade. O objeto, ligado às práticas das irmandades negras coloniais, é apresentado como símbolo da ancestralidade afro-ouro-pretana e da devoção aos santos negros, elementos centrais da identidade local.
O filme é uma realização da Rodeador Cultural e da AMIREI, viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo e com apoio do Governo do Estado de Minas Gerais e da Prefeitura de Ouro Preto. A certificação do financiamento público é interpretada pelos organizadores como passo importante para a difusão da memória e para o fortalecimento das manifestações de matriz africana.
Na sequência, o público acompanhou o lançamento de três obras literárias dedicadas aos temas da fé, da memória e da resistência negra. Foram apresentadas as publicações Reinados Negros de Ouro Preto – Fé, Força e Resistência: A Força Sagrada dos Tambores, de Sidnéa Francisca Santos, Kátia Silvério e Amanda Melissa; Pisa nesse chão devagarinho, de Sidnéa Francisca Santos; e Turismo Étnico-Racial em Ouro Preto-MG, de Luiz Cláudio Alves Viana, títulos que ampliam reflexões acadêmicas e poéticas sobre a trajetória afrodescendente no município.
Reconhecida como Patrimônio Imaterial de Ouro Preto desde 2019, a Festa do Reinado celebra o reinado de Chico Rei e reafirma o compromisso do poder público com a preservação da cultura popular e das manifestações religiosas que atravessam gerações. A administração municipal e a comunidade destacam que se trata de fé que canta, dança e mantém viva a história de Ouro Preto, transformando o período em espaço de encontro, conhecimento e respeito à ancestralidade.
Da redação do Jornal Panorama com informações e fotos da Prefeitura de Ouro Preto
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