Criada a partir do encantamento do jornalista Cásper Líbero ao assistir a uma corrida noturna em Paris, a Corrida de São Silvestre nasceu no Brasil na noite de 31 de dezembro de 1925, em São Paulo. Inspirada no clima festivo da prova francesa, a competição passou a ser realizada sempre no último dia do ano e recebeu o nome do santo celebrado na data, tornando-se, ao longo do tempo, a mais tradicional corrida de rua do país.
A primeira edição contou com 60 inscritos, dos quais 48 alinharam na largada no Parque Trianon, na Avenida Paulista, às 23h40. O percurso tinha 8,8 quilômetros e o vencedor foi Alfredo Gomes, atleta negro que já havia representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, tornando-se também um marco na história do esporte nacional. Desde então, a prova cresceu em importância e visibilidade, atravessando gerações e transformando-se em um evento de alcance internacional.
Inicialmente restrita a atletas brasileiros, a São Silvestre passou a aceitar estrangeiros a partir de 1927 e se tornou oficialmente internacional em 1945. Esse novo cenário trouxe um longo período sem vitórias nacionais, encerrado apenas em 1980, com o triunfo do pernambucano José João da Silva, em um momento que ficou marcado pela comoção popular e pela consagração do atleta como herói nacional. As mulheres passaram a competir a partir de 1975, ampliando ainda mais o caráter inclusivo da prova.
Ao longo das décadas, a São Silvestre revelou histórias de superação que ajudaram a consolidar seu simbolismo. Atletas como Marilson Gomes dos Santos, tricampeão da prova, e Maria Zeferina Baldaia, vencedora em 2001 após uma trajetória marcada por dificuldades no trabalho rural, tornaram-se referências e fontes de inspiração para milhares de corredores em todo o país.
Hoje, a corrida é reconhecida por seu caráter democrático. Além da elite masculina e feminina, a prova conta com largadas específicas para atletas com deficiência, cadeirantes e corredores amadores, além da São Silvestrinha, voltada a crianças e adolescentes. O evento reúne participantes de diferentes idades, origens e objetivos, desde a busca por rendimento esportivo até a realização pessoal.
Em 2025, a Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua centésima edição, com recorde de mais de 50 mil inscritos. Mais do que uma competição, a prova se consolida como um patrimônio esportivo e cultural do Brasil, unindo esporte, história, emoção e celebração na virada do ano.
Com informações da Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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