O Brasil recebeu o certificado de eliminação da transmissão vertical do HIV — aquela que ocorre da mãe para o bebê — como problema de saúde pública da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) nesta quinta-feira, 18 de dezembro. O reconhecimento foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tornando o país o único de dimensão continental a atingir esse marco. A conquista é atribuída ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), à oferta gratuita de terapias antirretrovirais e à ampliação de métodos preventivos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o SUS é motivo de orgulho mundial por atender mais de 100 milhões de habitantes, buscando garantir que a população mais humilde tenha o mesmo acesso à saúde que os cidadãos mais ricos. Para atingir os critérios da OMS, o Brasil manteve a taxa de transmissão vertical inferior a 2% e a incidência de HIV em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. Além disso, o país assegurou mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem e tratamento de gestantes que vivem com o vírus.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que o avanço ocorre quatro décadas após o primeiro registro de aids no Brasil, sendo fruto de uma construção coletiva que garante acompanhamento integral aos pacientes. Entre os anos de 2023 e 2024, o país registrou uma redução de 13% nos óbitos por aids, atingindo a menor taxa em mais de trinta anos. Esse resultado decorre da testagem ampliada e do uso de estratégias de prevenção combinada, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), testes rápidos e autotestes.
O diretor da OPAS/OMS, Jarbas Barbosa, afirmou que o reconhecimento posiciona o Brasil na vanguarda global, destacando a liderança do Ministério da Saúde e o trabalho de estados e municípios. A eliminação da transmissão vertical faz parte das metas do Programa Brasil Saudável e está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, reforçando o compromisso com os direitos humanos e a equidade no acesso à saúde pública.
A certificação internacional consolida o Brasil como uma referência em políticas públicas de saúde e demonstra a eficácia do modelo de acesso universal do SUS. Ao cumprir rigorosas metas internacionais e reduzir significativamente a mortalidade e a transmissão infantil do vírus, o país reafirma sua liderança global no combate ao HIV e avança na erradicação de doenças socialmente determinadas, garantindo proteção e dignidade às futuras gerações brasileiras.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: Brasil 61
Imagens: Ricardo Stuckert/PR
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