A Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), recebeu em Belo Horizonte relatos de moradores dos 18 territórios atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. Representantes denunciaram a falta de inclusão de comunidades na repactuação, dificuldades de pescadores e agricultores sem renda e dúvidas sobre a aplicação do fundo de R$ 1 bilhão previsto para ações de reparação.
Durante a reunião, realizada na quinta-feira (27/11/25), foram apresentados relatos sobre os 35 meses de atuação das assessorias técnicas independentes (ATIs) e as lacunas no atendimento aos atingidos. As ATIs defenderam isonomia no tratamento de povos e comunidades tradicionais e destacaram que a participação social é essencial para garantir reparação efetiva. Moradores relataram problemas estruturais, perda de renda, ausência de políticas emergenciais e dificuldades na comprovação de atividade agrícola.
Representantes das instituições de Justiça ressaltaram a necessidade de fiscalização da aplicação dos recursos e informaram que um relatório sobre a destinação dos valores destinados às mulheres será apresentado nas próximas semanas. Também foram discutidas situações ambientais, como o acúmulo de rejeitos na represa de Candonga, e a criação de instâncias de participação social no processo de reparação.
O encontro resultou na elaboração de requerimentos encaminhados às autoridades responsáveis, incluindo propostas de moção de repúdio ao uso eleitoral das obras derivadas da repactuação e pedidos para garantir transparência na identificação dos recursos. O objetivo é ampliar o controle social e buscar soluções para pendências que persistem quase dez anos após o desastre.
Da Redação
Com informações da ALMG
Foto: Henrique Chendes
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