No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira, 20 de novembro, especialistas analisam a relação entre racismo estrutural e políticas de segurança pública no Brasil. A data, feriado nacional pela segunda vez, ocorre 137 anos após a abolição da escravatura e reacende debates sobre desigualdade, violência e os impactos das ações policiais em territórios majoritariamente negros, como os complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.
A Operação Contenção, realizada em 28 de outubro, resultou na morte de 121 pessoas, entre elas quatro agentes de segurança, configurando a maior chacina da história do país. Nenhuma das 117 vítimas civis mortas havia sido denunciada pelo Ministério Público estadual. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro criou um observatório para acompanhar a apuração das ações das polícias civil e militar durante a operação.
Especialistas apontam que a letalidade policial e a concentração de operações em territórios negros refletem padrões históricos que remontam ao período colonial. Estudos mostram que 79% dos moradores do Complexo do Alemão são negros. Para pesquisadores, ações como a Operação Contenção reforçam desigualdades, interrompem serviços essenciais e ampliam riscos educacionais e socioeconômicos para adolescentes e jovens.
Levantamentos do Atlas da Violência indicam que a probabilidade de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é quase três vezes maior do que a de uma pessoa branca. Pesquisadores e representantes do sistema de Justiça defendem que o Estado deve ampliar sua presença por meio de políticas de educação, cultura, assistência social e saúde, e não apenas pela repressão policial.
Da Redação
Com informações da Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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