A um mês da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, o Brasil reforça sua posição de liderança na agenda ambiental ao apresentar a restauração de ecossistemas como um modelo de negócio lucrativo e estratégico. Durante um encontro sobre conservação e restauração ambiental realizado nesta sexta-feira (10), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, o governo federal e o banco de fomento anunciaram uma série de financiamentos robustos, sinalizando que a recuperação florestal é um pilar central tanto para o cumprimento de metas climáticas quanto para o crescimento econômico.
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, destacou que a restauração de áreas degradadas já é uma realidade econômica para diversas empresas no país. “Temos aqui parceiros que estão provando, demonstrando objetivamente que é possível fazer isso ganhando dinheiro, gerando vendas, gerando movimento, gerando economia”, afirmou, distanciando a atividade de uma visão puramente filantrópica. Segundo ele, o Brasil inverteu a marcha do desmatamento e caminha para atingir a meta de desmatamento zero até 2030. “Nós reduzimos na Amazônia 45% da taxa de desmatamento que nós herdamos de um governo absolutamente negacionista”, declarou, citando também avanços no Cerrado e na Mata Atlântica.
Capobianco contextualizou que, para além de frear a destruição, a restauração é crucial para que o país atinja sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) de reduzir as emissões de CO₂ entre 59% e 67% até 2035. “Se formos muito eficientes, podemos chegar em 2035 emitindo 850 milhões de toneladas, que é a parte de baixo dessa faixa. Seria um feito absolutamente excepcional”, avaliou.
Financiamentos históricos para impulsionar a bioeconomia
Materializando essa visão, o BNDES anunciou um conjunto de investimentos significativos com recursos do Fundo Clima. O destaque foi a liberação de um empréstimo de R$ 250 milhões para a Suzano, maior fabricante mundial de celulose. Este é o maior volume já aprovado pelo fundo para a recuperação de mata nativa, visando restaurar 24 mil hectares nos biomas Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado.
Outra iniciativa de grande impacto é o financiamento de R$ 100 milhões para o Grupo Belterra, que implementará o primeiro projeto de restauração produtiva em larga escala do país. Em parceria com pequenos e médios produtores de cacau, a ação prevê o plantio de 2,9 milhões de mudas em sistemas de agrofloresta na Bahia, Pará, Rondônia e Mato Grosso.
O banco também lançou uma concorrência pública de R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis do programa Floresta Viva para a recuperação florestal em 61 terras indígenas, com contrapartida da Fundação Bunge.
Inovação e futuro das florestas comerciais
Focando na silvicultura, o BNDES detalhou o projeto Floresta Inovação, que investirá R$ 24,9 milhões a fundo perdido para aliar a restauração de áreas degradadas à produção sustentável de madeira nativa. Coordenada pela UFSCar e pela Embrapa, a iniciativa também destinará recursos para pesquisa e inovação, buscando aumentar a produtividade e reduzir custos.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou o potencial do setor, lembrando que o Brasil já é um gigante na produção de celulose. “Temos um setor que vai apresentar resultados exuberantes do ponto de vista do seu potencial de investimento”, declarou, acrescentando que “não há nada mais antigo, mais eficiente e mais barato para sequestrar carbono do que plantar árvores”.
Às vésperas da COP30, a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que os anúncios demonstram que “o Brasil tem entregas efetivas e robustas” e antecipou que pelo menos mais quatro anúncios na área de florestas serão feitos antes da conferência.
Da Redação do Jornal Panorama, com informações da Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
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