O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) promoveu, na tarde de terça-feira (30), a devolução de uma peça sacra furtada do Museu Regional do Sul de Minas, em Campanha, há mais de três décadas. Trata-se da escultura de Santo Elesbão, datada do século XVIII e de autoria não identificada, talhada em madeira e com cerca de 45 centímetros de altura.
A entrega ocorreu em cerimônia realizada na Catedral de Santo Antônio, com a presença de autoridades locais e da comunidade. Após o ato formal, houve missa e cortejo até o museu, com participação do Congado da cidade. Campanha, que chegou a ter quase sete mil escravizados de origem africana, preserva a tradição das Congadas, reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do município e associadas à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e à devoção a santos negros, como Santo Elesbão, Santa Efigênia e São Benedito.
Segundo a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), documentos da Secretaria de Estado da Cultura e da Prefeitura de Campanha, elaborados antes do furto, já registravam a ausência das duas mãos, de parte do antebraço esquerdo e do resplendor da imagem. O coordenador da CPPC, promotor Marcelo Azevedo Maffra, foi representado pela historiadora e restauradora Paula Carolina Miranda Novais.
O furto ocorreu em 7 de março de 1994, quando 28 peças sacras foram levadas do museu. Com a devolução da imagem de Santo Elesbão, já são cinco obras recuperadas, somando-se às de Santa Cecília (1998), Santa Bárbara (2003), São Vicente Férrer (2004) e Nossa Senhora da Apresentação (2021).
A localização da peça só foi possível em 2024, a partir de pesquisas realizadas por alunos de História da Arte da Comunidade Propedêutica São Pio X, da Diocese da Campanha, no âmbito do projeto Sondar para Todos. Um dossiê técnico elaborado pela Secretaria Municipal de Cultura, em conjunto com o bispo diocesano, comprovou a identidade da imagem e solicitou sua restituição. Após análise minuciosa, a CPPC confirmou que se tratava da escultura furtada e iniciou diálogo com a instituição que a mantinha, garantindo a devolução.
O resgate foi viabilizado pelo projeto Sondar, desenvolvido pelo MPMG em parceria com a UFMG. A ferramenta reúne dados de bens culturais desaparecidos em Minas, permitindo consultas, inserção de informações, denúncias de venda ilegal e apoio às comunidades na proteção e restituição de peças de valor histórico e cultural.


Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações do MPMG
Fotos: Camila Soares/ MPMG
