O XXIII Simpósio do Instituto de Ciências Humanas (ICH), realizado entre os dias 23 e 24 de setembro, no Campus Coração Eucarístico, teve como tema central “Por uma sociedade antirracista: o compromisso das licenciaturas com a educação transformadora”. O evento, composto por palestras, mesas-redondas e apresentações de trabalhos, buscou promover um espaço de reflexão, diálogo e troca de experiências sobre o papel da educação na promoção da justiça social e equidade.
Na mesa de abertura, o Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG), Prof. Dr. Martinho Campolina Rebello Horta, representando o Reitor da PUC Minas, Prof. Dr. Pe. Luís Henrique Eloy e Silva, destacou a relevância do evento para incentivar a reflexão sobre a educação antirracista nas licenciaturas. “O nosso país precisa de professores que tenham uma formação crítica e que possam transformar a vida das pessoas, das famílias e das comunidades por meio da educação”, afirmou o professor Martinho.
O assessor da Pró-reitoria de Graduação, Prof. Dr. Alberico Alves da Silva Filho, que representou o Pró-reitor de Graduação, Prof. Eugenio Batista Leite, também trouxe uma reflexão importante sobre o conceito de racismo. “Pensar o racismo é pensar numa categoria que não existe na ciência, mas se perpetua entre nós porque tem uma força ideológica quase inexpugnável”, disse o professor Alberico, acrescentando que, embora o racismo não tenha um referente científico, suas práticas estão ideologicamente localizadas na cultura brasileira.
A Pró-reitora de Extensão, Profa. Dra. Claudia Venturini, abordou o papel estratégico da extensão universitária no processo de formação de educadores comprometidos com a promoção da equidade. “É pela extensão que as licenciaturas se aproximam das diversas realidades do país, escutam as vozes historicamente silenciadas e constroem, em conjunto com as comunidades, caminhos pedagógicos mais inclusivos, críticos e transformadores”, destacou a professora Claudia.
O diretor do ICH, Prof. Dr. Alexandre Magno Alves Diniz, enfatizou que o tema do simpósio é um chamado à ação para enfrentar o racismo estrutural presente na sociedade brasileira. “A educação antirracista se afirma como uma prática transformadora, que não se limita à inserção pontual de conteúdos sobre culturas afro-brasileiras e indígenas”, afirmou o professor Alexandre. Segundo ele, a educação antirracista busca construir uma sociedade mais plural, justa e comprometida com a dignidade de todos.
Representando os discentes, a aluna Ana Paula Rodrigues Amorim, do Curso de Geografia, lembrou uma frase célebre de Angela Davis: “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”. A estudante reforçou que combater o racismo vai além de uma questão individual, sendo também uma forma de transformar espaços e desenvolver cidades e territórios mais justos e inclusivos. “Como estudantes, temos o dever de refletir sobre o tipo de educadores que queremos ser”, afirmou Ana Paula.
A mesa de abertura contou ainda com a presença das chefes de departamento do ICH: Prof.ª Juliana de Lima Caputo (Geografia), Prof.ª Dra. Julia Calvo (História), Prof.ª Dra. Ev’ Ângela Batista (Letras) e Prof.ª Dra. Mariana Veríssimo (Educação).
Prêmio Sylvia Resende da Costa
Durante o evento, também foi entregue o Prêmio Sylvia Resende da Costa, promovido pelo ICH. Este prêmio é destinado aos alunos do Curso de Filosofia e dos cursos do ICH e visa premiar trabalhos críticos e originais que abordem temas relacionados às Ciências Humanas e Sociais. O prêmio, instituído em memória de Sylvia Resende Costa, ex-aluna da PUC Minas, foi concedido ao discente Raphael Theo de Oliveira Vargas, do Curso de Geografia, pelo trabalho “Currículos que abraçam vidas: a internacionalidade na formação de professores”. Em segundo lugar, foi premiado André Matheus Silva de Carvalho Gomes, do Curso de História, com o trabalho “O papel do Pibid na formação de professores de História e na construção de uma educação antirracista”.
Racismo e suas implicações na educação brasileira
O primeiro dia de evento também contou com a palestra “Racismo e suas implicações na educação brasileira”, ministrada pela Profa. Dra. Yone Maria Gonzaga, docente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mediação de Jonas Gonsalgo, doutorando do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE). A palestra abordou as implicações do racismo no contexto educacional brasileiro e as possíveis formas de enfrentamento na formação de educadores.
O evento foi uma oportunidade para reforçar o compromisso da universidade com a promoção de uma educação inclusiva, antirracista e transformadora, e destacou o papel fundamental das licenciaturas nesse processo de mudança social e educativa.
Da redação do Jornal Panorama
Com informações: PUC-Minas
Imagem: FreePik/Imagem Ilustrativa
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