A Polícia Federal (PF) concluiu que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) não praticou atos que caracterizassem coação contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou tentativa de obstrução do andamento de sua ação penal durante sua estadia na Itália, livrando-a de um possível indiciamento.
O relatório detalhado, enviado pelo órgão ao ministro Alexandre de Moraes, foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora terá 15 dias para se manifestar sobre a eventual apresentação de denúncia. De acordo com a PF, embora Zambelli tenha verbalizado intenções de dificultar a aplicação da lei penal, não há evidências de que ela tenha efetivamente executado ações concretas para prejudicar o andamento do processo.
No documento, a Polícia Federal afirma:
“Embora a intenção de frustrar a aplicação da lei penal tenha sido verbalizada, o comportamento de Carla Zambelli, salvo melhor juízo, não ultrapassou o campo da retórica, inexistindo prova de efetivo êxito na adoção de expedientes, contatos, articulações ou providências aptas a comprometer o regular andamento de ação penal.”
A investigação contra a deputada foi aberta em junho de 2025, a pedido do próprio ministro Alexandre de Moraes. Na decisão, ele determinou que a PF ouvisse Zambelli por escrito, devido à sua ausência do país, e solicitou informações detalhadas ao Banco Central sobre todos os valores recebidos via PIX por ela nos 30 dias anteriores, incluindo remetentes e datas, para avaliar possíveis movimentações financeiras suspeitas.
Zambelli era investigada sob suspeita de coação no curso do processo e obstrução de investigação relacionada a infração penal envolvendo organização criminosa. Ela já havia sido condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e, pouco tempo depois, deixou o país. A prisão preventiva da deputada foi decretada por ordem de Moraes, enquanto a Justiça analisa procedimentos de extradição junto às autoridades italianas.
O ministro ressaltou ainda que, apesar de sua fuga, os atos e declarações de Zambelli indicam reiteração de condutas que atentam contra instituições, como disseminação de desinformação para descredibilizar órgãos democráticos e tentativa de interferir em processos judiciais em curso.
Enquanto isso, Zambelli permanece presa na Itália, aguardando a definição sobre extradição e medidas que possam ser adotadas para assegurar a execução da pena determinada no Brasil.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da CNN
Foto: Lula Marques / Agência Brasil
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