Minas Gerais deu um passo inédito na valorização de suas tradições populares e na integração entre cultura e turismo. O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), lançou na quarta-feira (19) o projeto Caminhos do Rosário, que incorpora as Congadas e festas do Rosário à política pública de turismo da fé no estado.
A cerimônia de lançamento aconteceu no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, e marcou um momento simbólico: a iniciativa surge logo após o reconhecimento, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), dos Saberes e Práticas do Reinado e das Congadas em devoção a Nossa Senhora do Rosário como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
O maior trajeto festivo de Congadas do país
Minas Gerais agora ostenta o título de maior roteiro festivo de Congadas do Brasil. São 701 festas mapeadas em 332 municípios, que somam mais de 1.100 celebrações anuais realizadas por 1.170 grupos ativos, incluindo congadeiros, moçambiqueiros, catopês e tamborzeiros.
“Minas oferece ao Brasil e ao mundo um patrimônio que é arte, fé, cultura e território. O Caminhos do Rosário reforça a transversalidade entre cultura e turismo”, afirmou o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira. Segundo ele, a iniciativa reforça a transversalidade entre cultura e turismo, entre proteção do patrimônio e valorização das comunidades tradicionais.
Turismo, fé e geração de renda
O Caminhos do Rosário integra o programa Afromineiridades, que busca fortalecer as comunidades afrodescendentes por meio do reconhecimento, da promoção turística e da capacitação local. O projeto prevê um calendário oficial de festas, roteiros de turismo da fé, além de conteúdo educativo sobre a história e a cultura afro-mineira.
Uma plataforma digital específica será lançada no portal minasgerais.com.br, permitindo que municípios e grupos culturais cadastrem suas festas, ampliando a visibilidade e facilitando o mapeamento e a gestão turística.
De acordo com a Secult, as ações de capacitação serão fundamentais para garantir que o turismo aconteça de forma respeitosa, inclusiva e com protagonismo das próprias comunidades.
Minas: destino consolidado do turismo da fé
O Caminhos do Rosário se soma a outros importantes roteiros mineiros, como a Semana Santa, o Jubileu de Congonhas, as Romarias da Piedade e do Bom Jesus da Lapa, fortalecendo o segmento que movimenta cerca de R$ 5,5 bilhões ao ano em Minas.
Entre os destaques das Congadas estão as celebrações de Uberlândia, que reúnem cerca de 50 mil pessoas; de Poços de Caldas, com 20 mil participantes; e de São Sebastião do Paraíso, com 150 anos de tradição. Municípios como Betim, Contagem, Itaúna, Divinópolis, além de localidades dos Vales do Jequitinhonha, Norte, Mantiqueira e Centro-Oeste, também integram a nova rota.
Investimentos na cultura popular
O lançamento do Caminhos do Rosário também representa um marco nos investimentos nas culturas populares de Minas Gerais. Entre 2024 e junho de 2025, o Estado desembolsou mais de R$ 49 milhões em editais culturais via Fundo Estadual de Cultura (FEC) e a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Segundo a Secult, novos editais voltados para as culturas populares estão previstos para julho de 2025, ampliando as oportunidades para artistas, grupos e comunidades tradicionais.
Ao reconhecer, proteger e promover as Congadas e o Reinado como patrimônio cultural e ativo turístico, Minas Gerais reafirma seu compromisso com a preservação da memória, o desenvolvimento econômico regional e a promoção da diversidade cultural brasileira.
Por Redação do Jornal Panorama
Com as informações da Secult-MG
Foto: Leo Bicalho
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