Por trás das quatro linhas, onde a paixão do brasileiro se desenrola em dribles e gols, há um universo tão movimentado quanto um clássico entre rivais. Nele, a presidência da CBF, a entidade máxima do futebol no país, ganha novos contornos — e cifras nada modestas.
Samir Xaud, que chegou a eleito para a Federação Roraimense de Futebol, será o novo comandante da Confederação Brasileira de Futebol. Candidato único, ele assumirá o cargo nos próximos dias, em cerimônia ainda sem data marcada, mas com endereço certo: a sede da entidade, no Rio de Janeiro. O que chama atenção, no entanto, não é só o nome do futuro presidente, mas o valor que ele passará a embolsar mensalmente: R$ 383,6 mil brutos, totalizando R$ 5 milhões por ano, já contando o 13º. Um valor que faria inveja até a muitos craques da bola.
A quantia, vale dizer, não é novidade. É a mesma praticada atualmente, devidamente aprovada pelo Conselho Fiscal da CBF. Mas ainda assim, não deixa de soar dissonante com a realidade do futebol brasileiro fora da elite — onde clubes pequenos lutam por patrocínio, salários atrasam, e gramados esburacados são parte do cenário cotidiano.
Se por um lado o cargo exige habilidade política e competência para lidar com interesses diversos — de patrocinadores, federações, clubes, jogadores e até da Fifa — por outro, é legítimo perguntar: o futebol brasileiro, com tantos problemas estruturais, comporta um salário tão alto na sua administração máxima?
O novo presidente da CBF, aliás, começa sua gestão sem um dos bônus simbólicos (e financeiros) que seus antecessores tinham: o assento no Conselho da Fifa. O Brasil perdeu a vaga para o argentino Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da AFA, que agora ocupa o posto sul-americano junto ao órgão mais importante do futebol mundial. A posição rende US$ 250 mil anuais (cerca de R$ 1,4 milhão), além de diárias e poder de voto. Ou seja, menos prestígio internacional para o nosso dirigente e mais protagonismo para os hermanos —também fora de campo.
A próxima chance de reconquistar esse espaço será só em 2027. Até lá, a missão de Samir Xaud será grande: provar que o alto salário corresponde a uma gestão à altura, que pense o futebol brasileiro de forma mais ampla e democrática — e não apenas como um negócio milionário concentrado em poucos centros.
Porque, no fim das contas, torcedor mesmo quer ver bola rolando com qualidade, estádio cheio e time bem administrado. E, convenhamos, isso vale mais que qualquer contracheque.
Por: Sérgio Monteiro
Com informações das agências de notícias
Foto: Redes Sociais
