O Brasil registrou 1,43 milhão de óbitos em 2023, número 5% inferior ao do ano anterior, segundo as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior redução foi observada entre os idosos com 80 anos ou mais (-7,9%), com menos 38 mil mortes em relação a 2022.
Segundo o levantamento, 71% dos óbitos ocorreram entre pessoas com 60 anos ou mais, o que representa mais de 1 milhão de mortes. A gerente da pesquisa, Klívia Brayner, atribui parte expressiva da redução ao encerramento da emergência sanitária da Covid-19, oficializado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2023. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), houve queda de 55,7 mil óbitos por doenças virais de origem não especificada — categoria que inclui a Covid-19.
A redução dos óbitos foi registrada em todas as regiões brasileiras e em 23 das 27 unidades da federação. As maiores quedas ocorreram no Sul (-8,0%) e no Nordeste (-5,3%). A Paraíba (-11,8%) e o Rio Grande do Sul (-10,2%) apresentaram os recuos mais expressivos. A Região Norte teve a menor variação, com -2,3%.
Nascimentos seguem em queda e mães têm filhos mais tarde
O estudo também apontou um novo recuo nos nascimentos: 2,52 milhões em 2023, redução de 0,7% em relação ao ano anterior. Trata-se da quinta queda consecutiva desde 2018. A exceção foi o Centro-Oeste, que teve alta de 1,1%. As maiores reduções ocorreram em Rondônia (-3,7%), Amapá (-2,7%) e Rio de Janeiro (-2,2%).
O perfil etário das mães confirma uma tendência de envelhecimento da fecundidade. Em 2023, 39% dos nascimentos foram de mulheres com 30 anos ou mais. A proporção de nascimentos de mães entre 30 e 34 anos saltou de 14,6% em 2003 para 21% em 2023. Já os nascimentos de mães com até 19 anos recuaram de 20,9% para 11,8% no mesmo período — ainda com percentuais elevados nas regiões Norte (18,7%) e Nordeste (14,3%).
A maior concentração de nascimentos ocorreu entre mães de 25 a 29 anos (25,5%), seguida pela faixa de 20 a 24 anos (23,6%), que também apresentou queda contínua desde 2003.
Casamentos civis em queda, mas uniões homoafetivas batem recorde
O número de casamentos civis caiu 3% em 2023, totalizando 940,8 mil registros. A Região Sudeste liderou a retração (-5,0%), enquanto o Centro-Oeste foi a única a apresentar crescimento (0,8%). Em contrapartida, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo chegaram a 11,2 mil, um aumento de 1,6% e novo recorde da série histórica, iniciada em 2013. A maioria (62,7%) foi entre cônjuges do sexo feminino.
A pesquisa também mostra que os casamentos estão acontecendo em idades mais avançadas. Em 2023, 25,1% das mulheres que se casaram tinham 40 anos ou mais — em 2003, eram apenas 8,2%. Entre os homens, a participação dessa faixa etária passou de 13% para 31,3%. O fenômeno está ligado ao adiamento da união civil, recasamentos e ao aumento da expectativa de vida.
Segundo Klívia Brayner, a queda nos casamentos civis não reflete necessariamente uma menor união entre casais, já que muitas pessoas optam por uniões estáveis em vez de formalizar o casamento em cartório.
Divórcios sobem e tempo de união diminui
Os divórcios aumentaram 4,9% em 2023, totalizando 440,8 mil registros. O maior crescimento foi registrado nas regiões Centro-Oeste (16,8%) e Norte (13,1%). A duração média dos casamentos caiu: passou de 16 anos em 2010 para 13,8 anos em 2023.
A maior proporção de divórcios ocorreu entre famílias com filhos menores de idade (46,3%), o que acende um alerta para o impacto da separação em lares com crianças dependentes.
Sub-registro de nascimentos atinge menor patamar da série
O sub-registro de nascimentos — ou seja, o não registro de nascidos vivos — caiu para 1,05% em 2023, o menor percentual desde o início da série histórica, em 2015. A Região Norte, historicamente mais afetada, reduziu o índice de 5,14% para 3,73%. Os maiores sub-registros foram entre mães com menos de 15 anos (6,57%).
Para o analista José Eduardo Trindade, o dado reforça a importância da ampliação de políticas públicas voltadas à universalização do registro civil e à inclusão de populações vulneráveis no acesso à cidadania.
Por Leonardo Souza
Com as informações: Agência IBGE Notícias
Foto: Prefeitura de Itapevi
