O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do CyberGaeco, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de Minas Gerais, deflagrou, no dia 21 de janeiro, a Operação “Escola de Papel”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa cibernética especializada na venda de diplomas e carteiras de estudantes falsificados. A operação resultou em quatro mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão, todos cumpridos na cidade de São Lourenço.
O grupo criminoso era investigado por comercializar milhares de diplomas e carteiras de estudante fraudulentos para pessoas em todo o Brasil, incluindo certificações falsas em áreas sensíveis, como medicina e outras ciências da saúde. Esses documentos eram oferecidos por meio de dois sites, nos quais os compradores podiam escolher a carga horária de seus cursos, frequentemente incompatível com a realidade, e sem a devida validação acadêmica.
Início da Investigação
A investigação teve início após servidores públicos da cidade de Perolândia, em Goiás, apresentarem diplomas falsificados para receber gratificação profissional por aperfeiçoamento. A surpresa surgiu quando se verificou que todos os diplomas pertenciam a uma mesma instituição situada a mais de 1000 km de distância, o que levantou suspeitas sobre a autenticidade dos documentos.
Com a evolução da apuração, foi descoberta a organização criminosa responsável por essa fraude em larga escala. A operação utilizou técnicas investigativas inovadoras, como a interceptação telemática e a infiltração virtual, que permitiram a coleta de provas de maneira inédita para o Ministério Público, incluindo a coleta automatizada de dados em servidores virtuais (uma espécie de busca e apreensão digital).
Além das prisões e apreensões físicas, a operação também incluiu ações no âmbito digital, como a desindexação das instituições fraudulentas em buscadores da internet e a suspensão de perfis de redes sociais que promoviam os sites falsificadores. Seis sites ligados ao esquema foram retirados do ar (takedown) por determinação judicial. A justiça também ordenou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores em contas bancárias dos investigados, no total de R$ 17.356.902,02 para cada um dos envolvidos.
Impacto e Continuidade das Investigações
A operação contou com a participação de 49 agentes, incluindo promotores de justiça, servidores públicos e policiais militares dos Estados de Goiás e Minas Gerais. As investigações continuam em andamento, e a análise do material apreendido deve resultar em uma denúncia em breve.
Com as informações do CyberGaeco e MPGO
Fotos: Divulgação / MPGO



