Às vezes,
tudo é África em mim.
Canto no
sofrimento,
na dor, danço,
na revolta, oro.
Carrego toda
a senzala úmida
e escura em mim
e… Banzo!

Ainda Que…

Ainda que essa dor doa mais
do que a própria dor,
suporte doer…
Ainda que reste pouco de tudo,
mesmo desse tudo que já resta tão pouco…
Ainda que os dias anoiteçam
e as noites geladas
aclarem a solidão
e cubram terras e desejos…
Ainda que de cada amigo
reste apenas olhos indecisos rindo
ou voz sumida num silêncio covarde…
Ainda que toda a essência do bem
se perca num bate-papo de esquina…
Ainda que a fé esmoreça
ou que eu me prostitua,
e sinta, nisso, prazer…
Nós nos amamos naquele
instante eterno,
num êxtase supremo
de um encontro que ainda não se deu!..
Alimento

Cada palavra tua
alimentará toda
a minha expectativa,
até as que eu desconheço.

Por Guiomar Paiva – Acadêmica da Academia Caxambuense de Letras