A Diretoria Executiva da Universidade Federal de Lavras (UFLA) realizou, na manhã de segunda-feira (11/7), uma reunião com funcionários terceirizados que atuam no câmpus para informar as medidas que serão tomadas para adequação da rotina da Instituição à atual situação orçamentária. A Universidade já funcionava com um déficit orçamentário de 2,5 milhões para o ano de 2022, e teve, em junho, um corte orçamentário de 4,6 milhões. 

A UFLA conta hoje com cerca de 600 trabalhadores terceirizados, e uma das medidas impostas pelo momento será a redução desse quadro. A Diretoria Executiva informou, durante a reunião, que será necessário demitir, ainda nesta semana, 148 terceirizados, o que significa ¼ do número de pessoas vinculadas às empresas prestadoras de serviço com dedicação exclusiva de mão de obra. “Cabe ao gestor colocar os gastos da Universidade dentro do seu orçamento. Infelizmente, isso significa diversos cortes e a demissão de pessoas em um momento tão difícil. Essas demissões atingirão pessoas que trabalham na manutenção predial, limpeza do câmpus, jardinagem, apoio administrativo, condução de máquinas agrícolas e nos laboratórios. É uma situação muito dolorosa para nós”, informou o reitor, professor João Chrysostomo de Resende Júnior.

A redução do número de funcionários terceirizados terá impacto direto sobre a rotina, nos próximos meses, da comunidade universitária e de toda a população que frequenta o câmpus. “As atividades finalísticas da UFLA ficarão comprometidas, além de não possibilitar também o cuidado necessário com o patrimônio público, uma vez que seremos obrigados a diminuir manutenção predial e a limpeza de áreas internas e externas. As áreas externas ficarão também sem possibilidade de cuidados básicos e necessários, como aparação de grama, plantio de árvores, dentre outros. Os funcionários terceirizados têm um papel fundamental no funcionamento da Universidade. A UFLA não é a mesma e o patrimônio público não tem o cuidado devido sem a atuação de vocês”, destacou o reitor. Ele também informou que todos os esforços estão sendo feitos para a busca de uma solução no Ministério da Educação (MEC) e no congresso nacional, mas ainda sem sucesso.

Além da demissão de terceirizados, a Universidade programou cortes em investimentos, como aqueles reservados para a retomada da construção de duas obras do câmpus de São Sebastião do Paraíso. Também sofrerão cortes os recursos das unidades acadêmicas para compras de materiais para aulas práticas e no investimento em equipamentos. “Os espaços não vão mais ficar como deveriam. Os serviços não vão ocorrer da mesma forma. As demandas vão se acumular. O ensino e a pesquisa também sofrerão impactos diretos, pois estamos tendo que cortar não somente na terceirização. Além disso, há uma preocupação imensa em relação ao orçamento para o ano de 2023, pois, caso essa situação não seja revertida, será menor ainda que o de 2022, o que pode significar o colapso da Instituição. Estaremos lutando o tempo todo para tentar reverter essa situação”, salientou o pró-reitor de Planejamento e Gestão, professor Márcio Machado Ladeira. 

O vice-reitor da UFLA, professor Valter Carvalho de Andrade Júnior, destacou que, apesar de os cortes terem sido os mesmos para todas as Universidades e Institutos Federais, o problema é mais grave em instituições como a UFLA, que têm uma área de câmpus grande, além das fazendas e áreas experimentais. “Essa extensão exige maior número de terceirizados para manutenção e bom funcionamento, diferentemente de outras Instituições. A UFLA não recebeu o número de Técnicos Administrativos do Ensino Superior (TAE) pactuado para as últimas expansões, o que representa cerca de 120 servidores a menos que o necessário. Esse quadro exigiu a manutenção de um alto número de terceirizados para fazer a Instituição funcionar”. A falta de servidores técnico-administrativos vem se agravando, tanto pela extinção de cargos quanto pelo fato de a Universidade não ter recebido todas as vagas pactuadas com o Ministério da Educação para atender às expansões realizadas. A questão tem sido reiteradamente levada aos ministérios da Educação e Economia, mas ainda não há perspectiva de solução. 

O vice-reitor ressalta, ainda, que a atuação de cada terceirizado é fundamental para o funcionamento da Universidade e que a UFLA não consegue desenvolver todas as suas ações, no padrão de qualidade que sempre a caracterizou, sem os terceirizados. “É um momento muito difícil para todos nós, mas estamos atuando nas diferentes esferas do poder na tentativa de reverter a situação e reduzir o impacto do corte orçamentário na terceirização e no desenvolvimento das atividades fins da Universidade”, diz.

Fonte: UFLA