Conheci “O Pequeno Príncipe” no mundo francês (Genebra é na Suíça, mas na verdade tá dentro da França, só olhar o mapa). Lá, St Ex era extremamente respeitado e O Pequeno Príncipe um livro infantil de muito sucesso. Li, amei, chorei. Os personagens (a rosa, o acendedor de lampiões, a cobra, o aviador que não sabia desenhar, a raposa, o menino) passaram a fazer parte da vida, como acontecia tanto.
Corta.
Brasil, de volta. E a referência de que “O Pequeno Príncipe” era “um livro de miss”. Eu, hein. Não entendia como é que de algo tão delicado e cheio de simbolismo, de uma história tão complexa e sem final feliz, tinha se chegado a semelhante isso. Que estranho. As pessoas não tinham lido e não gostavam: “livro de miss”. Até que eu me deparei com a tradução até então única e consagrada, de Dom Marcos Barbosa.
Detestei com todas as minhas forças aquela tradução “embelezadora”, que transformava a linguagem coloquial do livro original em algo empolado e totalmente distante da realidade de qualquer criança brasileira. Entendi um pouco mais.
Hoje, há várias excelentes traduções no mercado: não é mais necessário enfrentar a linguagem elaborada e vetusta de Dom Marcos B. para conhecer a história do aviador que cai no deserto e encontra um menino estranho, que lhe pede para desenhar um carneirinho.
Ainda bem.
Tomara que acabe essa pecha de “livro de miss” e que as pessoas percam o preconceito.
O Pequeno Príncipe bem que merece.

Acadêmica Correspondente Renata Lins