Tempo é um recorte no fio da eternidade!

De tempos em tempos, a vida se manifesta nas mais diversas formas, e se tem um tempo para expressá-la. Tempo precioso, que voa, que passa tão rápido, que quase não temos consciência dele. Ele nos dá a oportunidade de escolher, experimentar, conhecer, aprender, brincar, dançar, sorrir, chorar, realizar, compartilhar, de amar e de tantos mais verbos criados no próprio tempo!

Tempo é uma medida de sabedoria! Ele nos desafia a atravessar ao longo de seu traço com passos firmes, mesmo que às vezes nossos pés escorreguem nas curvas da ilusão.

Tempo não é dinheiro! Que desrespeito! Tempo é valor! Tempo é precioso! Só o reconhecemos já na maturidade, quando em tese não teremos mais tanto tempo! Na infância, na juventude, o tempo parece eterno, é como se tivéssemos todo o tempo do mundo! Ao longo da caminhada, começamos a nos dar conta de sua finitude neste aqui e agora! Sim, porque em algum momento deste tempo, vamos embora. Em algum momento esta oportunidade findará! E para os que buscam respostas, entendimento e o despertar deste sono profundo, surge a pergunta. Como tenho usado esta medida de tempo, pela qual caminho?! O que realmente importa? O que vou deixar e o que vou levar comigo em minha mala de partida? É claro que aprender a matéria e através dela é o que viemos fazer. Mas não para a matéria como um fim em si mesma, mas como um meio de experiência do Ser que nos habita!

O que mais me intriga hoje, é como desperdiçamos o tempo, por não nos termos dado conta de sua importância e ao mesmo tempo do quanto é volátil, apesar de tentarmos tocá-lo o tempo todo.  Quanto tempo perdemos com coisas que não nos levam a lugar algum. Quanto tempo escorre de nosso sentir, por não vivermos inteiramente nossos momentos, relacionamentos e o nosso estar no mundo! Andamos descalços na areia e muitas vezes nem percebemos seu calor, sua textura, sua receptividade aos nossos pés!  Pouco  estamos presentes naquilo que fazemos! Se nos déssemos conta de que cada momento é realmente único, nos apropriaríamos melhor do nosso tempo, o que acredito, nos daria melhor qualidade de vida e mais plenitude! Hoje, para muitas coisas talvez não haja mais tempo, mas quero tê-lo a meu favor e fazer dele meu grande aliado, enquanto aqui estiver.  Quero me aprimorar, fazer o meu melhor, ser útil, servir no que me for possível, mas ao mesmo tempo, já olho para este fio da eternidade, continuação de minha morada, até o próximo recorte!

Por: Academia Caxambuense de Letras – conteúdo da escritora Maria Cristina Mallet Porto