Pessoas removidas de suas casas nas proximidades da Avenida Tereza Cristina aguardavam há dez anos pela nova moradia 

O governador Romeu Zema entregou, nesta terça-feira (17/5), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a chave de 48 unidades habitacionais para famílias que foram removidas das áreas de inundação das bacias de detenção de cheias e enchentes, nas proximidades da Avenida Tereza Cristina.

Com a retomada das intervenções nesta gestão, o Governo de Minas dá uma solução para famílias que aguardam o andamento das obras há mais de dez anos. Elas dependiam de aluguel social pago pelo Estado para se manter.

Até o momento, 128 apartamentos já foram entregues pelo Estado. Está prevista, ainda, a construção de outras 144 unidades. O investimento é de R$ 53 milhões, sendo R$ 27 milhões já executados pelo governo estadual. Ao todo, serão entregues 304 unidades habitacionais, divididas em 17 blocos, contendo 16 apartamentos cada.

O governador Romeu Zema destacou a satisfação de cumprir esta entrega, que é tão positiva para as famílias que há anos esperam pela sua casa própria.

“Estamos tendo a felicidade de entregar estes 48 apartamentos para as famílias que foram removidas das áreas de enchentes e inundações localizadas próximas a bacia do Arrudas e seus afluentes. O compromisso do nosso governo é resolver este problema que assola os municípios de BH e Contagem durante o período de chuvas. Prova disso é que há dez dias assinamos um convênio garantindo o repasse para que as prefeituras possam iniciar as obras de contenção das enchentes”, disse.

Fim da espera

A entrega dos apartamentos representa o fim da espera para as famílias beneficiadas. É o caso da Marisa Raimundo Elias, de 42 anos, que na última semana se mudou com sua filha Sara e seu marido para a nova casa.

Cristiano Machado / Imprensa MG


“Foi uma espera longa. Quando tudo começou, eu nem tinha minha filha e hoje ela está com 8 anos. Mas digo que tudo tem seu tempo e que este seja o início de um novo tempo para todos nós” comemorou a síndica dos blocos recém- inaugurados.

Ela lembrou da época difícil quando morava na Vila São Paulo, às margens do córrego Ferrugem. “Nos períodos de chuva a gente não dormia, temendo que a água entrasse em nossas casas. Vivíamos sempre preocupados”, relatou.

A diarista Dirléia da Silva, de 61 anos, comemorou a sua nova casa. “Estou muito feliz. Este novo apartamento é a realização de um sonho para a minha família. Não vejo a hora de mudar para a nossa casa nova” disse a beneficiada que pretende mudar para o seu apartamento na próxima semana.

Acordo da Vale

A conclusão das obras está sendo viabilizada a partir da inclusão dos recursos no Acordo Judicial firmado pelo Poder Público com a Vale, em decorrência do rompimento da barragem em Brumadinho. A tragédia tirou a vida de 272 pessoas – duas estavam grávidas. Cinco joias – como os familiares se referem aos entes perdidos – ainda não foram localizadas.

O Governo de Minas reservou, no contexto das medidas de reparação, R$ 298 milhões para a execução de ações de contenção de cheias e realocação de famílias em Contagem e Belo Horizonte. Além das unidades habitacionais, parte do valor será destinada ao pagamento de indenizações para famílias que não optaram por receber o apartamento.

Obras na região

O convênio para repasse de recursos destinados à execução de obras de contenção de cheias nos córregos Ferrugem e Riacho das Pedras, que são afluentes do Ribeirão Arrudas, foi promulgado em 9/5. O termo foi assinado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), e os municípios de Belo Horizonte e Contagem.

Na oportunidade, o governador Romeu Zema assinou despacho governamental autorizando a aplicação de R$ 200 milhões para a execução das obras nas bacias da Vila Itaú e Vila PTO, em Contagem, e na bacia Vila Esporte Clube, no município de Belo Horizonte.

Também foi anunciada a retomada das obras de Requalificação Urbana e Ambiental e de Controle de Cheias do Córrego Riacho das Pedras, que prevê a execução de duas das quatro bacias de detenção de cheias previstas: Bacia B2 (Praça Rio Volga) e Bacia B5 (Rua Arterial, próxima à empresa Toshiba). Os serviços foram paralisados em 2021 em razão de processo de recuperação judicial da contratada.

Vale ressaltar que a responsabilidade pela execução das obras estruturantes para prevenir enchentes é de cada município. Entretanto, tendo em vista a extensão social do problema, o Estado buscou soluções conjuntas para combater os estragos causados pelas chuvas na região metropolitana da capital.

Fonte: Agência Minas

Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG