Alguns apontamentos relacionam a presença dos povos em Virgínia

Por Gustavo Uchôas Guimarães

A presença indígena no município de Virgínia vem sendo pesquisada e estudada desde 2015, com alguns avanços e também com a necessidade de aprofundamentos que busquem compreender o processo histórico de formação regional tendo o indígena como integrante e protagonista. Para pesquisar a história indígena virginense, vem sendo considerado um grande recorte temporal (1710-1938) e é preciso contextualizar a história indígena da região em torno de Virgínia, abrangendo os municípios vizinhos. Neste sentido, a pesquisa se volta para municípios como Pouso Alto, Cristina, Itajubá, Itanhandu, Baependi, entre outros, considerando que, ao longo de sua formação, o território de Virgínia fez parte de alguns dos mencionados municípios . E, ao pesquisar estes municípios, debruça-se sobre diversos documentos, tais como as documentações paroquiais, os relatos de memorialistas, entre outros.

Na pesquisa sobre os indígenas de Virgínia, os primeiros grandes questionamentos são: quem eram eles? Por que foram negligenciados nos relatos da/sobre a região? Que importância tem o resgate da história indígena local para a população virginense e para a sociedade sul-mineira em geral?

A partir de pesquisas documentais e da busca por relatos orais , foi possível elaborar produções que dão um panorama sobre a história indígena regional.

A respeito do termo “Cataguá”, uma análise mais profunda mostra que o nome não se refere a um povo específico. Além disto, pairam dúvidas se realmente houve um grupo com este nome nos arredores de Virgínia. Paranhos (2005, p. 17-18) questiona a presença de algum grupo Cataguá na região, apontando apenas a presença Puri. Sobre o nome Cataguá não se referir a um povo específico, temos as discussões feitas por Henriques, Costa e Koole (2004, p. 202) , que mostram que o nome, dado por paulistas a qualquer povo que não fosse de língua Tupi, não aparece em nenhum documento ou relato de bandeirantes dos séculos XVI e XVII, e por Mano (2020, p. 754-756) , que discute o fato do nome Cataguá ter sido dado por outros grupos e não ter referências suficientes que o classifiquem com base cultural Tupi ou Jê.

O termo “Carijó” se refere a indígenas guaranis que habitavam São Paulo e o sul do Brasil (MONTEIRO, 1994, p. 61) . A referência aos Carijó na documentação da região da Mantiqueira nos remete aos indígenas que iam para o sul de Minas junto com os paulistas, escravizados por estes (muito embora recebessem o nome de “administrados” , visto que as leis proibiam a escravização de indígenas).

Sobre os contatos com os não-indígenas, há documentação, principalmente a partir do século XVII, que atesta os encontros entre indígenas, exploradores e colonizadores na região de Virgínia e arredores, dada a proximidade com pontos de passagem de exploradores, viajantes, comerciantes, etc (por exemplo, a Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira).

Os primeiros contatos se deram quando exploradores passavam pela Mantiqueira, em busca de pedras preciosas e de indígenas para escravização, tendo recebido também terras concedidas pelo governo português através de seus representantes que administravam o Brasil. Sobre estas concessões de terras, por exemplo, temos o caso da sesmaria dada, em 1710, a João de Toledo e Piza Castelhanos na localidade chamada Caatheica, hoje Virgínia.

A história indígena em Virgínia tem um panorama que pode ser sintetizado em pontos:

– Houve a presença e passagem de indígenas pelo território em que hoje é o município de Virgínia, sendo estes ligados a povos como Puri e Coroado, havendo dúvidas a respeito dos grupos que receberam o nome de Cataguá e havendo possibilidade também de ligação com grupos chamados de Carijó;

– O contato com os exploradores que adentravam o sul de Minas pela Mantiqueira e com os que vieram a se estabelecer na região trouxe aos indígenas a integração a uma nova formação social, de base europeia e com as características comuns à formação da Minas colonial (forte presença da administração portuguesa, através de seus representantes no Brasil; intensa atuação do catolicismo; imposição de costumes e valores europeus).

Trecho retirado do estudo feito pelo Sr. Gustavo Uchôas Ribeiro Professor e Historiador, filho das “Altas Terras da Mantiqueira”. Abaixo temos imagens de artefatos encontrados na região.

Conteúdo retirado da página da Diretoria de Cultura e Turismo de Virgínia MG.

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