Especialista diz que durante uma pandemia, qualquer sinal ou sintoma diferente na criança já é motivo de alerta aos pais ou responsáveis

É gripe ou Covid-19? Essa é uma pergunta frequente desde que a doença se alastrou pelo mundo. Em grande parte pelas pessoas responsáveis por crianças pequenas. Apesar de os sintomas dos dois vírus serem parecidos, em tempos de pandemia é preciso não descuidar e agir de forma segura perante as crianças e todos ao redor. 

De acordo com a médica epidemiologista, pesquisadora do CNPq e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, é preciso ter atenção a todas as reações diferentes que a criança apresentar. “No meio de uma pandemia qualquer sinal ou sintoma que é diferente do que a criança estava ontem e hoje está em um estado mais febril, com desânimo e às vezes diarreia, coriza ou nariz escorrendo, é importante ficar em casa e comunicar a escola, além de fazer o teste diagnóstico para excluir a Covid-19”, destacou. 

Para a médica, mesmo que os exames digam que não é Covid-19, é preciso que a criança permaneça em casa para não contaminar outras crianças com algum outro vírus. Um dado importante e que colabora com a opinião da médica é o de que, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mais de 1,9 milhão de crianças e adolescentes relataram infecção pela doença só em 2021.

A epidemiologista Ethel Maciel, ainda explica que mesmo que a criança tenha histórico de alergias ou alguma doença respiratória, é importante não descuidar e levar o pequeno ao pediatra caso apareçam sintomas de gripe ou do novo coronavírus. “Mesmo que os familiares desconfiem de uma alergia, e não ser Covid-19, em uma pandemia nós temos que atribuir ao vírus que está circulando de uma forma mais predominante, como o agente causador daquele sinal e sintoma”, esclareceu. 

Crianças de até 9 anos estão adoecendo mais por vírus respiratórios

Vacina da Janssen contra a Covid-19 precisa de duas doses; entenda

Sintomas leves da Covid-19

  • Tosse;
  • Dor de garganta com ou sem coriza;
  • Perda de olfato;
  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Febre baixa;
  • Calafrios;
  • Dor muscular;
  • Fadiga;
  • Dor de cabeça intensa.

Sintomas moderados da Covid-19

  • Tosse persistente e febre diária;
  • Piora progressiva dos sintomas leves relacionado à Covid-19;
  • Pneumonia sem sinais ou sintomas de gravidade.

Sintomas graves da Covid-19

  • Quadro de gripe que apresente falta de ar/desconforto respiratório;
  • Pressão persistente no tórax;
  • Saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada de lábios ou rosto; 
  • Especialmente em crianças, a respiração acelerada para tentar compensar a falta de oxigênio no organismo;
  • Desconforto respiratório;
  • Alteração da consciência;
  • Desidratação;
  • Dificuldade para se alimentar, 
  • Convulsões. 

Sintomas críticos da Covid-19

  • Sepse – que é quando nosso corpo se depara com uma infecção, ele gera uma resposta inflamatória que pode levar a uma série de complicações;
  • Síndrome do desconforto respiratório agudo;
  • Insuficiência respiratória grave;
  • Disfunção de múltiplos órgãos;
  • Pneumonia grave;
  • Necessidade de suporte respiratório e internações em unidades de terapia intensiva.

É importante destacar que doenças respiratórias diferentes da Covid-19 estão causando muitas internações de crianças recém-nascidas até os nove anos de idade, como revelou o último Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado no final de outubro. As informações mostram que entre as crianças de 0 a 9 anos, foi observada uma estabilização de casos semanais registrados como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em valores entre 1.000 e 1.200, próximos ao que se registrou no pico de julho de 2020 (quando foram registrados 1.282 casos na Semana Epidemiológica 29). 

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mesmo com a vacinação aumentando por todo o mundo, pais e mães devem continuar a incentivar as crianças a tomarem as mesmas precauções de antes para ajudar a prevenir o contágio e a disseminação da Covid-19. 

E a respeito da vacinação para crianças e jovens, o laboratório da Pfizer/BioTech anunciou, na última segunda-feira (22), que um estudo preliminar apontou para  eficácia de 100% para pessoas entre 12 e 15 anos de idade que completaram o esquema vacinal com duas doses da vacina Pfizer. O estudo acompanhou 2.228 participantes por sete dias durante mais quatro meses após a segunda dose. 

Dados da Covid-19

O Brasil registrou mais 10.312 casos e 284  óbitos por Covid-19, de acordo com o balanço mais recente do Ministério da Saúde. Desde o início da pandemia, mais de 22.030.182 milhões de brasileiros foram infectados pelo novo coronavírus. 

O Rio de Janeiro ainda é o estado com a maior taxa de letalidade entre as 27 unidades da federação: 5,15%. O índice médio de letalidade do País está em 2,8%. 

Taxa de letalidade nos estados

RJ    5,15%
SP    3,46%
AM    3,22%
PE    3,16%
MA    2,83%
PA    2,80%
GO    2,67%
AL    2,62%
PR    2,60%
CE    2,60%
MS    2,56%
MG    2,54%
MT    2,52%
RO    2,43%
RS    2,42%
PI    2,18%
BA    2,17%
SE    2,17%
ES    2,13%
PB    2,12%
DF    2,10%
AC    2,10%
RN    1,98%
TO    1,70%
SC    1,62%
AP    1,61%
RR    1,60%

Fonte: Brasil 61

Foto: Ketut Subiyanto (Pexels)