Muitas vezes fingimos ser o que não somos, fingimos pensar o que não pensamos. Só pelo simples fato de pertencer a um grupo ou mesmo a uma família.

   Isso me fez refletir o  preço que se paga por tal ato. O quanto é caro para sua alma e coração, esta escolha.

   Baseada em uma crença errônea transmitida por anos a fio. Acreditamos que o certo é escondermos quem e o que somos, para sair bonito na foto. Mas essa mesma foto se olhada bem de perto e com um olhar crítico, ficará nítida a falta de alegria nos olhos daqueles que nela se encontram.

   Quando penso nesse tipo de situação, me preocupo com nossos jovens. Tão expostos a essas variantes de pensamentos e crenças, para moldá-los, para que se encaixem num determinado estilo de vida.

   Em minha concepção, isso é um ato de violência. Quando se é desrespeitado o direito de ser de cada um. Esse jovem, muitas vezes indefeso, mais sensível, obedientes.

   Farão de tudo para serem aceitos, elogiados, enfim, anularão a própria personalidade para pertencerem a um grupo, seja este familiar, amigos etc.

   Precisamos desenvolver um olhar empático para esses jovens, uma mão estendida, para que entendam a importância de seus sentimentos e emoções.

   Caso contrário, eles acabarão adoecendo, perante a essa premissa de se encaixar em determinado grupo, e aqui não falo só da doença física, mas da mental e da instabilidade emocional, que atos de controle sobre eles podem acarretar.

   Mas, e como sair desta situação, nem sempre é fácil, mas é possível, parar de fingir estar bem para deixar a vida da outra pessoa mais confortável.

   E é tão simples que parece brincadeira, basta você não fingir para si mesmo, mesmo que em sua volta não concordem com suas ideias e ideais, jamais desista de você mesmo. Deixem que pensem e vivam como querem, porque dentro de você, existirá paz, por ter aceitado exatamente ser quem você é.

   E aos poucos, passo por passo, perceberá que dependerá cada vez menos da aprovação das outras pessoas. Estará forte e com o brilho que são só seus.

  O filme que me inspirou neste texto foi Boy – Verdade Anulada , Netflix, que conta a história de um jovem, filho de um pastor, que vai para uma clínica, “para curar sua homo sexualidade”. Um filme sensível e baseado em fatos reais. Vale a pena conferir.

Acompanhe mais sobre a Li Couto em seu Instagram https://instagram.com/licouto?igshid=2i81a3ty2vr2

https://soundcloud.com/jornal-panorama/artigo-podcast-com-a-escritora-li-couto-fingir-50