Esta tão em moda, falar em superação, somos bombardeados, todos os dias por histórias, de pessoas que superaram algo, fosse um desemprego, ou algo mais grave, um acidente que tirou sua mobilidade.

   O que sempre me inquieta é, como elas conseguiram? Como foi esse processo, dentro da cabeça?

   Quando lemos ou vemos uma reportagem dessas, as pessoas focam nos resultados, mas dificilmente no caminho de desilusões e superações diárias que uma situação, desta citada acima, traz.  E sempre vem a pergunta no final : E aí, já conseguiu voltar a rotina de antes?

   Não tem como essa pessoa, passar por algo traumatizante e voltar a ser como antes. O grande nó, é justamente aí, a pessoa fica tão apegada no antes, depois, tão apegada em se recuperar, que quando chega a hora de retornar ao cotidiano, percebe que aquele antigo não está mais lá.

   É onde a depressão faz sua morada, no apego do antes, é tanta necessidade, de mostrar para todos que o conhecem a tempos, que nada mudou, que desenvolve uma dor, terrível, dentro do peito. Para todos a volta, é sabido que tudo mudou. Até para quem não passou pela situação, mas acompanhou todo o sofrimento, esforço e superação. Esses também são modificados.

   E é ai que esta a grande virada, o milagre da vida, do recomeço. Quando a vida nos traz esse tipo de situação, por mais dolorida que ela possa ser, é para que possamos ressignificar. E não voltar para o que éramos.

   A dor vem por insistirmos em ser como antes, parece que falhamos, conosco, como se tivéssemos feito uma promessa de nunca mudarmos em nada. Um processo de reconstrução, seja de uma carreira, de seu corpo, depois de um acidente ou mesmo uma doença grave, aqui falo daquelas em que há risco de morte, vem acompanhado da oportunidade de mudar o rumo das coisas.

   Aí, resta apenas, a coragem de aceitar o novo. Que pode parecer aterrorizante, mas a vida, sábia como é, não nos dá a opção de volta, é uma estrada sem retorno, o único caminho é para frente.

  Com novos dias, um passo por vez.

   A  serie que me inspirou neste texto foi Virgin River, Netflix, que conta a história de uma enfermeira, que depois de um grande golpe do destino, decide recomeçar a vida em uma cidade do interior. Vale a pena conferir, os diálogos são interessantes, nos fazem refletir sobre superação e resistência a recomeçar.

Conheça mais de Li Couto, através de suas mídias:

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