Por Graziela Ricardo Matoso*

O ano de 2020 foi assolador para todo globo, isso porque do dia para noite milhares de pessoas tiveram de ficar dentro de casa, diversos países foram obrigados a repensar suas políticas públicas e nossas rotinas sofreram transformações que não sabemos até quando vão ficar em nossas vidas.

A covid-19 é uma doença que vem afeando a população de forma aterrorizante, entes queridos vêm ficando doentes e falecendo, e o isolamento social não ajuda na hora do luto, isso porque nos sentimos sozinhos e muitas vezes perdidos. Por isso, muitas pessoas recorrem a fé, como um meio de ajuda e esperança.

Desde o início da humanidade já acreditamos em um ser superior que nos rege, nos guia e nos protege ao longo da vida. E essa crença é importante, porque é ela que renova nossa esperança e nos faz acreditar em algo positivo para o futuro. Diante isso conversamos com Padre Cristóvão, Coordenador de Comunicação da Província BRN (Brasil Norte) dos Missionários do Verbo Divino.

Segundo o padre Cristóvão, estamos vivendo uma situação em que o número alarmante de vítimas no Brasil fez com que as famílias necessitassem de mais apoio, palavra amiga e compreensão. “Se existe um momento onde a fé precisa ser uma luz, é na hora da dor, sofrimento, perda, medo, incertezas”, afirma. Ele ainda acrescenta que “ter fé nessas horas é como estar no controle, ter o remo do barco da vida seguro em nossas mãos, para ir onde queremos, apesar da tormenta”.

Ele ainda explica que com a pandemia, fomos obrigados a redirecionar nossa forma de estar juntos, de pôr em prática nossos projetos missionários. “Este é um desafio que devemos enfrentar juntos, independente da área em que atuamos. Na política, na religião, no comércio, na medicina, na convivência familiar e na forma como sobrevivemos”, afirma.

De acordo com o padre, a situação atual exige de nós muita criatividade, porém, uma fé verdadeira, capaz de filtrar a essência da nossa vivência. “Aprendemos que é importante ir à igreja, mas se este ir é uma causa de ameaça a vida dos outros, nossa missa passa a ser de alguma forma um cuidado real do nosso próximo. Além do mais, através do nosso batismo somos todos igrejas domésticas em nossas famílias e a comunicação foi uma das áreas que mais nos deu suporte para garantir que as ovelhas do rebanho não se perdessem”, acrescenta.

Padre Cristóvão (Arquivo Pessoal)

Padre Cristóvão também nos conta que antes da pandemia muitas pessoas faziam seus cultos por rotina ou hábitos familiares. “Os sacramentos deixaram de ser um hábito a mais, e com a diminuição da comunhão substancial fomos obrigados a viver a fé e a comunhão com Cristo de uma forma mais íntima e pessoal”.  

Ele ainda explica que devemos encarar este momento como uma prova que vai selecionar quem verdadeiramente é capaz de ficar de pé; apesar dos pesares, Deus sempre será Deus. “Não somos a primeira geração a passar por isso; às vezes, é preciso conhecer de perto o que outras sociedades passam e não estamos nem aí para eles.”

Ele finaliza dizendo: “O Coronavírus é uma catástrofe e não o desejamos, nem devemos pensar que ele é obra de Deus, mas já que está aí, devemos aprender todas as lições que ele está nos obrigando a aceitar”, finaliza.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Priscila Aparecida Silva