Sei que esta palavra não existe, mas convenhamos, apesar de estar caminhando para a velhice, ela ainda não faz parte dos meus dias.

   Então viajando pelos meus pensamentos, me peguei presa nesta palavra revelhescer, que para mim seria como adolescer, afinal estou descobrindo tantas coisas novas.

   Encontrando novas pessoas, profissão, paixões, porque então não classificar como a adolescência da fase adulta.

   Muitos da nossa geração, fizeram o que deu para fazer, era raro encontrar pessoas da nossa faixa de idade, realizando um sonho, indo atrás da carreira que tanto admirava quando criança.

   O carro de bombeiro, a touca de médica, o foguete do astronauta e o carrinho de corrida, a vida adulta chegou e nos tirou a cor, escolhemos o trabalho, começamos a trabalhar para poder pagar a faculdade, afinal poucos pais conseguiam ou mesmo acreditavam necessário, “pra que estudar, eu me virei sem estudo”, muitos até diziam isso.

   Apesar que meu pai sempre me incentivou a estudar, não conseguiu pagar a Universidade, mas foi uma das pessoas que não me deixou desistir, quando tudo que mais queria era jogar a toalha, acredito que muitos aqui  entenderão.

   Mas aí a magia aconteceu, chegou a maturidade, sorrateira, silenciosa, mas cheia de charme e experiência e com ela também a aposentadoria, lembro que pensava, “ o que farei quando me aposentar?!”, não me via só em casa e de pijama, além do que a casa para muitas mulheres da minha geração é outro emprego.

   Foi então que recomecei a escrever, sempre tive facilidade com a escrita, era apaixonada em redação, ali minha imaginação voava solta.

   Meu convite é deixe-se revelhescer, experimente vasculhar seus sonhos, tire a poeira das suas lembranças, dê mais uma chance.

  Acredito que a vida pode e deve me surpreender e que envelhecer, talvez seja muito bom!!

   A série que me inspirou neste texto foi Grace e Frankie, netflix com a maravilhosa Jane Fonda e a hilária Lily Tomlin, onde essas duas setentonas, viverão várias aventuras, mostrando que envelhecer não precisa ser chato e cheio de dores. Vale a pena conferir e dar boas gargalhadas.

Acompanhe mais sobre a escritora Li Couto pelo Instagram