Por Priscila Silva

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais, através da Promotoria de Justiça de Caxambu, em atuação conjunta com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou a operação “Coreia”, com o objetivo de identificar a autoria e materialidade de crimes de tráfico ilícito de drogas e organização criminosa envolvendo facção criminosa na cidade de Caxambu e região.

As investigações do Ministério Público, que duraram cerca de um ano e quatro meses, apuraram sobre integrantes de uma facção criminosa oriunda do estado de São Paulo que se instalaram na cidade de Caxambu com objetivo de praticar crimes variados. Os investigados, para o tráfico reiterado de drogas, estavam hierarquizados e agiam com divisão de tarefas e loteamento de bairros, sendo que parte do grupo agia dentro dos presídios da região.

Durante as investigações foram cumpridos 33 mandados de prisão e 35 de busca e apreensão nas cidades de Caxambu, São Lourenço, Baependi, Conceição do Rio Verde e Itanhandu, com a participação de 130 policiais militares, 20 viaturas e um delegado de Polícia Civil, três agentes de Polícia Civil, 4 cães farejadores e uma aeronave de apoio, vinda de Poços de Caldas. Foram apreendidos celulares, drogas, numerário e material destinado ao tráfico ilícito de entorpecente.

Na operação foram presas três mulheres, que foram levadas ao presídio de Caxambu. Além delas, mais 30 pessoas foram presas e levadas para os presídios de São Lourenço e Santa Rita do Sapucaí.  “Foi constatado que de dentro dos presídios, os presos determinavam ações para as mulheres, por hoje em dia se tiver filho, ou em diversas situações, ela é colocada em casa, e elas se aproveitando desse benefícios, realizavam o tráfico, inclusive exercendo funções de relevância dentro de uma facção”, revelou o Promotor de Justiça de São Lourenço, Dr. Leandro Pannain Rezende.

Dr. Pannain revelou sobre o resultado que contou “intenso trabalho da Polícia Militar com um trabalho excepcional de inteligência, e através das investigações de campo, das oitivas, das nossas provas, foi bastante claro chegar nessa conclusão”. O promotor avaliou o sucesso da operação e afirmou que “isso para a comunidade é importante, ter pacificação social, a comunidade ter tranquilidade. É isso que o trabalho da Polícia Militar e o Ministério Público frisa”.

O Promotor de Justiça de Caxambu, Dr. Bergson Cardoso Guimarães, afirmou que “buscamos apoio do Gaeco em função da identificação do número de tráfico de drogas, uma identificação de organização mais sofisticada, não só no município de Caxambu, mas no entorno. Precisávamos de uma operação mais concentrada do MP, com maior investigação, pois identificamos com apoio do Gaeco que esse grau de organização já suplantava até os limites do município”, revelou. 

“Todo o recurso empregado, tanto logístico, quanto de recursos humanos, pertence a 17ª RPM, que é de Pouso Alegre, sob o comando do coronel Oterson”, evidenciou Major Célio, comandante do 57º Batalhão de São Lourenço, que integrou a operação.

Ao fim, o comandante expressou à comunidade sobre a ação. “O crime está presente em qualquer situação, da mesma forma que, às vezes, o criminoso acha que está ali numa região tranquila, talvez acreditando que o efetivo das instituições de Segurança Pública são pequenos e ele tá mais acomodado para cometer o seu crime, a gente demonstra com essa operação que quando é necessário a gente tem essa capacidade logística e de recursos humanos para fazer uma operação dessa envergadura e combater qualquer tipo de organização criminosa. Hoje foi uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, as investigações já denotam isso, mas se necessário for com outro tipo de organização, com outro viés criminoso, nós vamos, temos estrutura, o efetivo foi necessário e se precisasse de mais efetivo, a gente teria trazido mais.  Da mesma forma que a criminalidade planeja seus delitos, nós também temos condições de planejar e isso que a comunidade pode ter certeza: a Polícia Militar, e isso eu falo em nome do 57º Batalhão, mas também em nome da instituição aqui na região, a Polícia Militar não dorme em berço esplêndido, pelo contrário, a gente tá todo momento atendendo ocorrências, combatendo desde aquele delito pequeno até atentos a este tipo de organização criminosa e, sendo necessário, a gente tem vontade, força e estrutura para montar uma operação dessa envergadura”, pontuou.


Major Célio, promotor Dr. Leandro Pannain e Dr. Bergson Cardoso Guimarães
(Crédito: Polícia Militar)
Parte do material apreendido