Por Graziela Ricardo Matoso*

A pandemia do coronavírus há 7 meses vem assustando a população mundial. A doença é perigosa e muito contagiosa e a todo instante vem sendo anunciada e mostrada em algum lugar, seja nas redes sociais, na televisão, no rádio ou em jornais. Mas algumas outras doenças podem estar presentes perto de nós de maneira silenciosa.

Pensando nisso, o Jornal Panorama vai falar sobre algumas enfermidades que afetam milhares de pessoas no mundo inteiro, mas que chegam de maneira discreta e pode mudar nossas vidas.

A primeira doença a ser falada hoje é a hepatite C. A doença é causada pelo vírus C da hepatite (HCV) e é um processo infeccioso e inflamatório, que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo a segunda forma mais comum.

A hepatite crônica é uma doença que chega sorrateiramente. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, apenas 25% a 30% dos infectados apresentam sintomas e pode se manifestar através da fadiga, mal-estar geral, febre, problemas de concentração, queixas gastrointestinais, perda de apetite, náusea, intolerância ao álcool, dores na zona do fígado ou o sintoma mais específico que é a icterícia (pele e olhos amarelados).

A doença pode ser transmitida por via sanguínea através de uma pequena quantidade de sangue contaminado, que pode entrar na corrente sanguínea de alguém através de um corte ou uma ferida, na partilha de seringas ou de uma forma menos comum, as relações sexuais sem proteção. O vírus não se propaga na partilha de objetos. Apesar de já ter sido detectado na saliva, é pouco provável a transmissão através do beijo, a menos que existam feridas na boca.

O Ministério da Saúde também explica que o risco de uma mãe infectar o filho durante a gravidez é de cerca de 6% e a maior parte dos médicos considera a amamentação segura, mas pede que as mães que são portadoras da doença fiquem atentas a feridas nos mamilos e a cortes na boca da criança.

O tratamento pode ser feito com os chamados antivirais de ação direta (DAA), que apresentam taxas de cura de mais 95%. Todos podem receber o tratamento pelo SUS e os pacientes na fase inicial da infecção podem ser tratados nas unidades básicas de saúde, sem a necessidade de consulta na rede especializada para dar início ao tratamento.

Segundo o último levantamento do Ministério da Saúde, entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, mais de 130 mil pessoas já se recuperaram da hepatite C com novos antivirais no Sistema Único de Saúde (SUS). 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico pode ser feito através do exame de sorologias específicas ou do teste rápido. O teste rápido é de fácil execução, é feito por meio de uma gota de sangue e o resultado sai em 30 minutos. Quando positivo necessita de outros exames mais específicos para a confirmação. Todas as pessoas com mais de 40 anos devem realizar este exame ao menos uma vez.

O exame também é recomendado para pessoas que utilizam ou utilizaram drogas ilícitas, realizam ou realizaram hemodiálise, fizeram tatuagem ou colocaram piercing em ambientes não regulamentados, fizeram transfusão de sangue, derivados ou órgãos antes de 1993, pessoas que já foram presas, tiveram relação sexual sem proteção e pessoas que tenham diagnóstico de diabetes, doença psiquiátrica, alcoolismo, doença renal ou imunodepressão.

A MELHOR FORMA DE COMBATER A DOENÇA É PREVENINDO

Não existe uma vacina contra a hepatite C, mas existem formas de prevenção como:

  • Evitar o contato com sangue contaminado;
  • Não compartilhar escovas de dentes, lâminas, tesouras ou outros objetos de uso pessoal;
  • Não utilizar seringas e outros instrumentos usados na preparação e consumo de drogas injetáveis e inaláveis;
  • Desinfetar as feridas e cobri-las;
  • E apesar de pouco comum, sempre usar preservativos nas relações sexuais.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Priscila Aparecida Silva