Por Graziela Ricardo Matoso*

A pandemia do coronavírus mudou a rotina de professores e alunos que tentam se adaptar ao novo formato de ensino. Em Aiuruoca as aulas foram suspensas no dia 18 de março, e estão atualmente em formato EAD (Educação à Distância) no qual o aluno estuda em casa e entra em contato com seus professores por meio virtual.

O EAD funciona para todos os alunos, desde que tenham as condições necessárias para realizar este estudo, como acesso aos meios tecnológicos e à internet. Porém, uma grande parcela dos alunos é residente da zona rural, o que dificulta o aprendizado, pois muitos não tem acesso à internet e aos meios tecnológicos necessários.

Marcelo Fernandes Maciel, diretor da Escola Municipal Professora Maria José Ematné, de Aiuruoca (Arquivo Pessoal)

Segundo Marcelo Fernandes Maciel, diretor da Escola Municipal Professora Maria José Ematné, de Aiuruoca, eles vêm trabalhando com as atividades não presenciais desde o dia 25 de maio. Todos os alunos recebem as apostilas impressas a cada quinzena. Elas são preparadas pelos professores em casa, impressas na escola por funcionários que estão trabalhando presencialmente em regime de escala, dentre eles, diretor, secretárias, bibliotecários, professoras eventuais, cantineiras e auxiliares de serviços gerais. Após a entrega dessas atividades, os professores acompanham nossos alunos através dos grupos no WhatsApp e ligações. “Estamos na 6ª etapa que iniciou no dia 21 de setembro; como o lockdown foi decretado no dia 23, deu tempo de entregarmos as atividades com segurança, seguindo todos os protocolos recomendados pela secretaria de saúde, como fizemos nas etapas anteriores. E até o início da próxima etapa já teremos saído do lockdown para continuarmos o nosso trabalho; caso ele seja prorrogado, teremos que adiar essa data para garantirmos a segurança dos pais/alunos que receberão as apostilas e dos nossos funcionários que estão fazendo o trabalho de forma presencial”, afirma.

Quando perguntado sobre a previsão de volta às aulas, o diretor responde: “Quanto ao retorno presencial dos alunos, não temos uma previsão. A nossa rede segue as diretrizes e orientações da Secretaria de Estado de Educação de Mina Gerais por meio da SRE de Caxambu. Nesta semana, o Governo de Minas anunciou que as escolas poderão retomar as aulas presenciais a partir do dia 5 de outubro. A retomada para essas atividades será feita de forma gradual, não será obrigatória e os municípios é que darão a palavra final sobre a abertura das instituições. Portanto teremos que aguardar e discutirmos sobre este assunto”, destaca.

A Supervisora Pedagógica da Escola Estadual Conselheiro Fidélis, Gilda Paula de Souza (Arquivo Pessoal)

A Supervisora Pedagógica da Escola Estadual Conselheiro Fidélis, Gilda Paula de Souza, também afirma que não há previsão exata, mas que a Secretaria de Estado teria autorizado a abertura no dia 5 de outubro e que no dia 19 de outubro iria  priorizar apenas a volta dos alunos do terceiro ano do ensino médio, “mas isso vai depender da situação local e de autorização municipal.” Eles já foram orientados pelo Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais (CEE) para elaborar um “plano de retorno” seguindo as recomendações do comitê extraordinário Covid-19 como horários, revezamento, distanciamento entre outros.

Ela afirma ainda que os exercícios são entregues e recolhidos em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, “utilizando o serviço de transporte escolar para que as atividades cheguem até os alunos que não tem acesso aos meios virtuais”, argumenta.

A supervisora também fala que situação também exige muita disciplina de estudo por parte dos alunos. “Situação pela qual os nossos alunos nunca passaram antes, sendo para eles um grande desafio. Assim como para os professores também. Embora todas as medidas visam redimir os prejuízos na aprendizagem”.

Por fim, o diretor Marcelo Fernandes Maciel diz que acredita que o ensino foi prejudicado, “principalmente na nossa escola, que oferta os anos iniciais do ensino fundamental. Mesmo com um bom retorno das atividades feitas está longe da interação na sala de aula entre professor e aluno, de sanar todas as dúvidas, de perceber se o aluno está absorvendo todo o conteúdo e fazer as intervenções necessárias”. “São alunos de 1º ano que não estão alfabetizados, têm aqueles que não tem contato com os professores por falta de internet, que não conseguem fazer sozinhos; sabemos que seus pais trabalham o dia inteiro, não estão de home office, eles não conseguem tempo para ajudar seus filhos nessas atividades. Será um desafio muito grande quando retornarmos com as aulas presenciais para os nossos professores recuperarem esses alunos”, finaliza.

* Estagiária sob supervisão da jornalista Priscila Aparecida Silva