Por Graziela Ricardo Matoso*

Sabemos que em momentos como esses, ficar em casa tem sido cada vez mais difícil. Já são quase 6 meses sem ir na casa de quem amamos, trabalho, festas, cultos religiosos, entre outros lugares que faziam parte da nossa rotina. Segundo os dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) do último dia 23, o Estado já tem 276.314 casos confirmados e 6.897 mortes.

O perfil epidemiológico de pessoas contaminadas pelo coronavirús, trazido pela SES-MG, indica que a média de idade dos casos confirmados é de 42 anos e a maior porcentagem é de pessoas entre 30 a 39 anos, com 24,5%. Por sexo, são 50% homens e 50% mulheres, na maioria pardos. Quanto ao perfil epidemiológico dos óbitos confirmados, 43% são mulheres e 57% são homens e 75% dos óbitos foram de pacientes com comorbidades. A média de idade é de 71 anos, 79% com mais de 60 anos.

Apesar do número de casos positivos serem menores que os casos negativos, os números de óbitos no Estado de Minas Gerais subiram bastante no mês de setembro. Segundo a SES-MG, esse aumento pode não representar um aumento na transmissão, mas a qualificação do sistema de informação, com encerramento de óbitos ocorridos anteriormente e que estavam em investigação.

Aiuruoca, no Sul de Minas Gerais, com pouco mais de 6 mil habitantes segundo o censo de 2010, teve um aumento expressivo no número de infectados, e em pouco tempo, dois óbitos. A cidade decretou lockdown para conter a transmissão da doença.

Dr. Clécio (Arquivo Pessoal)

O médico Dr. Clécio Dilmar, que atua na área da covid-19 no Hospital Dr. Júlio Sanderson, diz que provavelmente os casos em Aiuruoca tenham aumentado devido a desobediência dos moradores em desrespeitar o isolamento. Ele afirma também que a doença tem uma propagação menor quando tomamos os cuidados recomendados, como uso de máscara e higienização das mãos. “Sabemos que todos estão cansados de ficar confinados, sem poder frequentar locais públicos e se divertirem, talvez isso tenha enfraquecido o uso das medidas de prevenção. Estava nítido que boa parte da população da cidade estava abandonando essas medidas, principalmente as máscaras, e fazendo aglomerações”, evidencia.

O médico também fala que a população aiuruocana não levou a doença tão a sério porque ela demorou a chegar até a região, “Víamos que os noticiários nos meses anteriores não condiziam com a nossa realidade, com isso muita gente foi ficando descrente. Junto a muitas notícias falsas, espalharam a desinformação que hoje atinge muitas pessoas independente de classe e nível de instrução. Somado a isso o fato das condições econômicas da população, em que muitos preferem não acreditar na doença a ter que parar de trabalhar e perderem sua renda”, afirma.

Ele afirma que o lockdown no início da pandemia não era necessário, nos meses de março e abril, pois o coronavírus ia demorar a chegar nessa região, “mas nesse momento, sim”, revela.

Quando perguntado se o Hospital Dr. Júlio Sanderson tem capacidade para cuidar dos pacientes caso os números de infectados volte a subir, ele respondeu. “Depende do número de casos. Temos seis leitos de terapia intensiva e mais alguns de enfermaria reservados para o Covid-19. Acredito que vai ser o suficiente. Mas em caso de aumento expressivo do número de casos em Aiuruoca e outras cidades da região temos outros locais aptos a receber pacientes”, declara.

O Ministério da Saúde reforça que o isolamento é essencial para reduzir o contágio do covid-19. Além de ficar em casa, pede-se para que todos lavem suas mãos com frequência e ao sair para tarefas essenciais que utilizem máscaras e álcool 70% para a higienização das mãos.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Priscila Aparecida Silva