Por Graziela Ricardo Matoso*

O dia 21 de setembro é lembrado como o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, o que nos chama a atenção para a campanha Setembro Verde, que tem como objetivo a luta pela inclusão das pessoas com deficiência. A campanha teve a iniciativa instituída pela Federação das Apaes do Estado de São Paulo – FEAPAES-SP e oficializada por meio da Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005. A cor verde utilizada na campanha remete também ao Dia Nacional da Árvore, e indica a esperança de uma sociedade mais inclusiva e sustentável.

Segundo o último censo do IBGE, em 2010, 45.606.048 de pessoas declararam ter algumas das deficiências investigadas; esse número é se refere a 23,9% da população brasileira. Os dados mostram também que 38.473.702 dessas pessoas se encontram em áreas urbanas e 7.132.347 vivem em áreas rurais, sendo o Nordeste a região que concentra o maior número de municípios com os maiores percentuais de pessoas com pelo menos uma deficiência.

Apesar do avanço que tivemos quando o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 13.146 de 2015, que institui a inclusão de pessoas com deficiência, esse ainda é um assunto pouco falado e ainda falta muito para ser alcançado. Segundo o censo, a taxa de alfabetização das pessoas com 15 anos ou mais é de 90%, já as pessoas na mesma faixa etária com alguma das deficiências investigadas tiveram a taxa de alfabetização reduzida em 81,7%. A região Sudeste foi a maior, com 82% da taxa de alfabetização de pessoas com deficiência, e a região do Nordeste com a taxa de 69,9%, sendo essa a menor em todo o Brasil.

Pedro realizando uma atividade adaptada (Foto: Naide Braga)

A LUTA POR INCLUSÃO

Conversamos com Naide Braga, mãe do Pedro, um garoto de seis anos que é deficiente visual. Naide nos contou sobre os desafios na inclusão do filho em uma instituição de ensino que, a princípio, não possuía adaptações para incluir pessoas com algum tipo de deficiência visual.

A mãe relata que ao tentar matricular Pedro, que na época tinha dois anos, teve que entrar em contato com a Secretaria de Educação de Aiuruoca para que o secretário matriculasse seu filho; porém, a matrícula em um primeiro momento foi negada, pelo fato da criança ainda usar fraldas, e segundo o secretário, a prefeitura não teria condições de contratar mais um funcionário para tomar os devidos cuidados com Pedro.

Atividade feita com materiais em alto relevo (Foto: Naide Braga)

Após a situação, Naide deixou claro que iria atrás dos direitos do filho e que “negar matrícula para uma criança com deficiência é crime”. Na semana seguinte ela recebeu uma ligação da escola pedindo que levasse os documentos necessários para a matrícula.

Com Pedro então matriculado foi um desafio tanto para a escola quanto para mãe para se adaptar. Com o tempo e a dedicação de todos funcionários para incluí-lo nas atividades de acordo com o que era necessário, tudo foi melhorando e se ajustando.

Atividade que trabalha a coordenação motora
(Foto: Naide Braga)

Naide afirma ainda que as atividades realizadas por seu filho são as mesmas que o restante dos colegas, porém feitas de forma adaptada. Ela destaca também que a utilização de materiais em relevo são muito importantes nesse caso e que o braile também é usado, o que permite que o menino consiga ler e escrever algumas coisas.

Por fim, Naide deixou um conselho para os demais pais que possuem filhos com algum tipo de deficiência: “Lutem sempre pelos direitos dos filhos! Procure informações, corram atrás sempre do que for melhor, não aceite menos do que seu filho merece e necessita. Todo dia é dia de luta, não sofra antecipadamente, viva um dia de cada vez, mas sempre firmes. Procure sempre ter um bom relacionamento com a escola. Família e escola andando junto facilita na aprendizagem”.

* Estagiária sob supervisão da jornalista Priscila Aparecida Silva