Live é a primeira de série inédita sobre julgamentos históricos (Foto: divulgação)

A Escola Nacional da Magistratura, sob o comando do desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Caetano Levi Lopes, iniciou nesta quinta-feira (27/08) a série de lives inéditas sobre julgamentos históricos. E para o deleite dos amantes do direito, da história e sobretudo da religião, o encontro analisou detalhadamente o julgamento de ninguém menos que Jesus Cristo, condenado à pena capital há mais de dois mil anos, num episódio até hoje cercado de dúvidas, mistérios e contradições.

O expositor dos fatos históricos foi o advogado e padre da Ordem do Carmo, Frei Evaldo Xavier, que relatou detalhes da conspiração, prisão e julgamento do Messias.  

A série Julgamentos Históricos foi aberta pelo presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Gilson Soares Lemes, que destacou a importância do debate que cerca os últimos dias de Jesus Cristo. “Agradeço a oportunidade de participar da live e parabenizo o desembargador Caetano Levi pela iniciativa à frente da Escola Nacional da Magistratura”, comentou o presidente.

O Frei Evaldo Xavier fez um relato histórico desde a Última Ceia que Cristo teve com seus apóstolos, quando foi traído por Judas. Após a prisão, Jesus Cristo sofreu várias acusações por parte dos sumos sacerdotes, líderes religiosos do povo judeu. As principais acusações foram de blasfêmia e de violação do sábado sagrado dos judeus.

Pressão

Levado ao governador de Jerusalém, o militar romano Pôncio Pilatos, Jesus foi submetido a um rigoroso interrogatório. Para a decepção dos sumos sacerdotes, Pilatos refutou todas as acusações, alegando que nenhuma delas tinha fundamento, principalmente para a pena capital.

Contudo, a pressão exercida pelos sumos sacerdotes, de acordo com o frei Evaldo Xavier, obrigou Pilatos a dar sequência ao julgamento, desta vez com a acusação de que Jesus Cristo se autoproclamava o Rei de Israel. “Ele questionou Jesus Cristo sobre o fato de ele ser o rei e recebeu a resposta que o reino dele não pertencia a este mundo”, descreveu o frei.

Novamente, de acordo com os estudos de Frei Evaldo, Pilatos tentou a amenizar a condenação. Ele entendia que se autoproclamar rei de um reino de outro mundo não era crime. A pressão dos sacerdotes judeus e do povo de Jerusalém forçou Pilatos a seguir com o julgamento, que deixou de ser religioso e passou a ser político, uma vez que Jesus Cristo, em tese, poderia ameaçar o Império Romano ao se intitular rei do povo judeu.

Antes de levar Jesus Cristo ao julgamento popular, Pilatos tentou uma condenação mais branda – ao flagelo – proposta que foi refutada pelos sumos sacerdotes de Jerusalém. Após a sentença de morte, Pilatos lavou as mãos, deixando bem claro que a condenação não foi referendada por ele.

Justiça

Após a reflexão histórica, Frei Evaldo debateu com o desembargador Caetano Levi sobre a importância de julgamentos realizados por meio de processos bem conduzidos e baseados em provas concretas, para se evitar injustiças como a que foi feita a Jesus Cristo. “E os romanos tinham uma lei muito avançada naquela época, com julgamentos baseados na justiça, ao contrário dos judeus, que falavam em pureza ou impureza”, completou.

“Devemos lembrar como é perigoso condenar alguém com base na opinião pública, como ocorreu com Jesus Cristo. Ele vivia em uma região muito conflituosa e dominada pelo Império Romano. Sem dúvida, ele mexeu muito com o ‘establishment’ que dominava a região na época”, detalhou o desembargador Caetano Levi. O desembargador anunciou outras lives sobre julgamentos históricos, como os que ocorreram em Nuremberg, após a Segunda Grande Guerra.

Acesso

O convidado da live, Frei Evaldo Xavier, é advogado, formado em Direito pela UFMG; graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia de Lugano, na Suíça; mestre e doutor em Direito Civil e Direito Canônico, pela Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma; presidente da Comissão de Direito Eclesiástico da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Minas Gerais e consultor jurídico Canônico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A palestra pode ser assistida na página da Associação dos Magistrados Brasileiros na plataforma de vídeos YouTube no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=yWUA1ZOFuB4

Fonte: TJMG