Em reunião na ALMG, eles pediram apoio para a habilitação de novos leitos e a aquisição de equipamentos e insumos (Foto: Guilherme Bergamini)

Aumento da contaminação e das mortes pela Covid-19 e queda brutal na arrecadação municipal devido à redução da atividade econômica. Essas foram as grandes preocupações apontadas por prefeitos de cinco cidades-polo de quatro macrorregiões de saúde de Minas Gerais.

Eles participaram, de forma remota, de Reunião Especial no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (17/6/20). E deram um panorama do enfrentamento à pandemia do coronavírus no interior, conforme destacou o presidente da ALMG, deputado Agostinho Patrus (PV).

Para Antônio Carlos Guedes Almas, prefeito de Juiz de Fora (Zona da Mata), todos os gestores municipais têm o mesmo sentimento. “Esperávamos vencer, no último ano de mandato, a crise financeira dos municípios, mas aí veio a pandemia”, lamentou.

Com 43 mortes e mais de 900 casos confirmados da doença, Juiz de Fora sofre com o aumento expressivo de internações, da ordem de 20%. Por esse motivo, Almas pediu apoio para que o município consiga habilitar mais leitos junto ao Ministério da Saúde.

O prefeito foi questionado, por meio de pergunta do deputado Bartô (Novo), sobre a efetivação de 31 leitos já habilitados pela União. Segundo ele, esses leitos já estão em uso. “Tínhamos 108 antes da pandemia. Hoje temos 157, com 78% de ocupação. Se não fosse por esses leitos, já estaríamos em colapso”, afirmou.

Já o deputado Fernando Pacheco (PV) perguntou sobre a possibilidade de construção de um hospital de campanha, uma vez que Juiz de Fora é sede de uma macrorregião com 94 municípios e 1,6 milhão de pessoas. Almas, porém, afirmou que os hospitais da cidade têm espaço físico para 800 novos leitos.

O deputado pôs em dúvida o planejamento do Estado para a pandemia, diante da falta de leitos e de equipamentos e insumos. Ele ainda destacou que aproximadamente 90% dos municípios mineiros não têm UTI.

Salários – Em Juiz de Fora, a queda na arrecadação já chega a R$ 39 milhões, considerando apenas abril e maio. Segundo o prefeito, o recurso federal esperado, que é de R$ 51 milhões, em parcelas, não será suficiente, já que a pandemia continua. “Já tivemos que escalonar os salários dos servidores pagos em junho”, alertou.

Realidade no Vale do Aço justificaria lockdown, diz prefeito

Com dificuldades sanitárias e econômicas semelhantes, Nardyello Rocha de Oliveira, prefeito de Ipatinga (Região Metropolitana do Vale do Aço), disse que a cidade atende a 35 municípios da região. Segundo ele, o Hospital Municipal tinha 10 leitos de UTI, abriu outros 10, todos para Covid-19, e eles já estão ocupados.

Já os leitos de enfermaria, que somavam 16, foram ampliados para 55, e 80% estão ocupados. Ele também anunciou a compra de dez respiradores, mas salientou que o Vale do Aço tem números que indicam a necessidade de lockdown, ou seja, fechamento total. Por isso, pediu ao Governo de Minas um novo plano de contingenciamento.

A presidenta da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização, deputada Rosângela Reis (Pode), reforçou a necessidade de os municípios monitorarem a situação para decidirem sobre a flexibilização das atividades. “Já são mais de 580 municípios atingidos em Minas. Temos que buscar soluções junto aos governos estadual e federal”, afirmou.

Muriaé – Ioannis Kostantinos Grammatikopoulos, conhecido como Grego, prefeito de Muriaé (Zona da Mata), apontou que a cidade é parte de uma macrorregião com 94 municípios, que têm apresentado crescimento na contaminação pelo coronavírus, em função da proximidade com Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Sobre o plano de contingência do Governo do Estado, Grego salientou que não houve criação de novos leitos na cidade, mas apenas a destinação específica para Covid de 26 leitos de UTI já existentes, sendo cinco para pacientes oncológicos. “A população não parou de sofrer AVC, problemas cardíacos e renais. E não podemos admitir que pacientes morram por falta de assistência”, criticou.

Também em tom de crítica, o deputado Marquinho Lemos (PT) afirmou que o coronavírus resolveu “ouvir Romeu Zema e viajar para o interior”. Na visão do deputado, o governador alardeou a construção do hospital de campanha, em Belo Horizonte, e não ajudou o interior a se preparar. “Em Diamantina, temos dois leitos de UTI para toda a regional. Temos mais 10 leitos para habilitar, mas não conseguimos”, exemplificou.

Já a deputada Ione Pinheiro (DEM) defendeu o Poder Executivo mineiro e anunciou que os respiradores adquiridos por meio da Federação das Indústrias (Fiemg) e da Vale estão chegando. Por outro lado, ela cobrou dos senadores mineiros uma maior pressão pela habilitação de leitos do SUS em Minas.

De acordo com a deputada, dos 6,5 mil leitos credenciados pela União até agora, 403 estão em Minas, o mesmo número do Paraná e de Santa Catarina, estados com população menor.

Falta de medicamentos é novo desafio

José Cherem, prefeito de Lavras (Sul), registrou que a cidade já tem 50 casos de Covid-19 e sete mortes. Os 20 leitos de UTI, segundo ele, foram acrescidos de outros 12, mas o município busca apoio para conseguir mais oito respiradores e 18 monitores. A falta desses equipamentos faz com que Lavras tenha que levar pacientes de risco para Varginha (Sul).

À ALMG, o prefeito também pediu apoio na obtenção de medicamentos para a Covid-19 que já começam a faltar

Confortável – Entre os municípios participantes, o que apresentou situação melhor foi Uberaba (Triângulo). A situação é “confortável”, nas palavras do prefeito, o ex-deputado Paulo Piau. Com 400 mil habitantes, a cidade apresenta 450 casos e 16 mortes.

A ocupação de leitos é de 11% no caso de UTI e de 22% em enfermaria, mesmo com o município atendendo outras 300 mil pessoas da macrorregião. Conforme Piau, desde março, a prefeitura baixou decretos de isolamento social, restringindo o comércio e os serviços.

Em resposta a uma pergunta da deputada Leninha (PT), Paulo Piau disse que há um plano de segurança alimentar no município, com distribuição de cestas básicas, acrescidas de produtos da agricultura familiar. Apesar disso, a curva de contaminação local é crescente e Piau teme que a proximidade com Uberlândia (Triângulo) e Ribeirão Preto (SP) possa fazer a doença avançar.

Fonte: ALMG