1. A gripe mata 0.1% ou menos dos afetados. O marginal leva 0.5 a 1%. São dados da OPAS, OMS, além de outras fontes muito confiáveis como Oxford, colégio britânico de medicina, e a Lancet.  Nestas fontes fazem um estudo matemático e estatístico e conseguem chegar ao número mais próximo do real e tentam contabilizar os casos subclínicos, assintomáticos e os casos não notificados. Estas estatísticas que referem número muito maior não levam em conta estes casos. Ainda assim é muito, 1% de uma doença que atinge bilhões de pessoas é muita coisa. E em todos os países têm sido assim, exceto onde o sistema de saúde sucumbiu, como na Itália, Espanha, Equador, alguns locais dos EUA, etc. Nestes foi o dobro ou triplo, atingindo às vezes mais de 2,5%. 

2. Teremos, sim, vacina. Entre setembro de 2020 a fevereiro de 2021. Já é certo e é logo ali. A da Pfizer vem à frente e a de Oxford em seguida. Ao que parece, o Brasil vai ser prioritário pela contribuição da FioCruz e da UFMG entre outros.

Mas tem uma baita novidade ainda em estudo, em fase de avaliação. Seria uma vacina diferente de todas as outras: uso nasal. Bastaria uma “fungada” e pronto, resolvido! Se pensarmos que bilhões de pessoas têm que ser imunizadas é um avanço e tanto, pois facilita muito. Só podia ser coisa de brasileiros, modéstia à parte. Mas é para 2022 se der certo mesmo, como de fato deu nas cobaias.

3. Menores de 60 anos também morrem. São 20% dos óbitos abaixo desta faixa de idade e fora dos grupos de maior risco. Então, os jovens têm que ficar espertos também mesmo sem comorbidade alguma.

4. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, pessoal técnico e de limpeza hospitalar morrem 10 a 20 vezes mais que a população geral e no Brasil estão firmes pra peteca não cair de vez. Morremos mais não só porque há mais contágio, também porque a carga viral que recebemos é maior. A doença é mais grave no pessoal da linha de frente do que nos que adquirem na comunidade.

Tomara que a população e as autoridades se lembrem disto depois que tudo passar, pois judiaram muito dos médicos brasileiros nos últimos anos, desvalorizaram demais, humilharam demais. Nos fizeram sofrer, sim, especialmente os jovens médicos. Endeusaram bezerros de ouro. E quem está morrendo são os médicos, técnicos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, pessoal da limpeza, segurança, da cozinha, profissionais da secretaria, recepcionistas. Eles são na imensa maioria brasileiros, formados no Brasil. Já se foram mais de 500 mártires. Sim, mártires. 

5. Raramente antes de 10 anos de idade tem a doença grave, é verdade. A proteção decorre da imaturidade natural do sistema imunológico das crianças, já que as piores lesões do covid-19 decorre de ataque exagerado e sem modulação dos próprios anticorpos.

6. No início achávamos que aqui no Sul de Minas, no inverno, haveria uma explosão de casos e não ocorreu. O aumento que era já previsto está como em outras regiões mais quentes e até um pouco melhor.

7. Afetados ficam imunizados por 1 ano, talvez 2 anos. Estes casos relatados de reinfecção estão mal contados. Dá sim imunidade, embora não duradoura.

8. Remédio não existe um supimpa. O melhor é o Remdesivir e outros antivirais com mesmo espectro. A HCQ se tiver efeito, e parece que tem, é muito modesta. Em BH, na cooperativa que já citei, não está sendo usada e a mortalidade é baixíssima.

9. Máscaras devem ser usadas? Sim, sem dúvida, e deve ser bem colocadinha, tapando bem o nariz e a boca. Não podem dar falsa sensação de segurança e diminuir o distanciamento social.

10. Nunca tanta picaretagem. Pensava que já tinha visto de tudo em termos de charlatanismo. Curas milagrosas, remédios sem noção e condutas malucas. A pandemia destas safadezas é tão grande quanto do covid-19.

11. No Brasil está mais ou menos igual a outros países e dentro do previsto. Números maiores por ser a população maior. Onde deveria ter mais está tendo mesmo: os grandes centros urbanos e onde há grande densidade demográfica (muita gente junta).

12. Minas Gerais está incrivelmente bem, até agora. A estória de subnotificação não colou. A mortalidade geral inclusive diminuiu aqui nas alterosas. Os leitos reservados ao covid-19 estão folgados. Um fato pouco difundido é a questão da assistência médica em BH. Metade da população de BH são cobertos por uma grande cooperativa de saúde que se aparelhou muito e investiu muito. Talvez seja o que fez BH ter uma mortalidade tão baixa além de ações corajosas e tempestivas das autoridades de saúde.

Ps: vou deixar os leitores do Panorama em paz por 15 ou 20 dias, por ter outras tarefas neste tempo. Se ainda me aceitarem neste espaço, volto em julho.

Aí espero voltar à minha querida e amada pediatria.   

Inté.