Minas Gerais bateu recorde de captação de doadores de órgãos em 2019 (Foto: Gil Leonardi/ Imprensa MG)

“Quando os médicos chegaram, às 8h da manhã – eu já não tinha mais esperança -, e falaram ‘seu coração está chegando’, fiquei numa felicidade que eu comecei a cantar, a rir. É outra vida, viver de novo, e eu estava morrendo”. O emocionado depoimento de Mara Aparecida Ribeiro, 35 anos, se refletiu em um longo abraço em seus três filhos e na felicidade de poder celebrar com eles mais um Dia das Mães, comemorado no último dia 10/5.

Seis meses após o transplante de coração, a vida de Mara segue caminho para voltar à normalidade. Vítima de uma miocardiopatia periparto depois do nascimento de seu filho caçula, ela passou dois anos sofrendo com internações e lutando para que seu coração não parasse de bater. Em novembro do ano passado, ela recebeu a notícia da chegada do órgão que renovaria a sua história.

Compartilhamento

Desde o início de sua gestão, Romeu Zema determinou o uso compartilhado das aeronaves do governo – algumas delas eram para seu uso exclusivo.

O trabalho integrado e efetivo realizado pela nova gestão estadual neste sentido já vem demonstrando resultados. Minas Gerais foi, em 2019, premiada pelo Ministério da Saúde como o estado que mais captou órgãos no país. Houve um crescimento de 42% da captação de doadores em relação à 2018.

O novo coração de Mara, que vive em São José da Lapa, região metropolitana da capital, veio do Triângulo Mineiro, em mais uma das missões de transporte realizadas pelo Gabinete Militar do Governador (GMG). A rapidez e a eficiência no transporte são fatores fundamentais para o sucesso das operações. O transplante de coração, por exemplo, deve ser realizado em até quatro horas.

Mara sabe da importância da doação. “O transplante significa vida, e eu estava morrendo. Sem esse coração para me salvar, eu não estaria aqui. A doadora salvou a minha vida e de outras pessoas. É importante conscientizar as pessoas da importância da doação, porque ela salva vidas. Geralmente, tem muitas pessoas esperando um transplante. Então você se pergunta se você vai aguentar, se o coração vai chegar a tempo”, lembra.

Como no caso da Mara, os resultados alcançados por Minas não se resumem apenas a números, mas em novas oportunidades de vida para diversas pessoas. “Me sinto abençoado por ter a oportunidade de ter uma nova vida”, conta o engenheiro Moisés da Silva Cunha, de 58 anos, morador de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Ele passou por um transplante de fígado, em Belo Horizonte, no final de novembro de 2019. O procedimento foi necessário por causa de um nódulo cancerígeno.

Moisés conta que ficou apreensivo com a possibilidade de esperar muito tempo pelo órgão para transplante, agora, sente gratidão pela família da pessoa que doou o fígado. “Hoje, vejo a vida com outros olhos; a doação é um ato de solidariedade em meio à dor da perda de um ente querido. Eu farei da mesma forma”, diz.

Histórico

No início deste mês, o trabalho do Gabinete Militar do Governador também auxiliou uma operação histórica. A missão de uma das aeronaves, o avião King Air B200, desta vez, foi no Norte de Minas, de onde trouxe um coração para uma criança de 13 anos, na capital. O transporte possibilitou o primeiro transplante cardíaco pediátrico da história da Santa Casa de Belo Horizonte, considerada referência em transplantação em Minas Gerais.

O diretor-geral do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado, destaca a importância deste tipo de coordenação das aeronaves pelo governo, principalmente em um estado como Minas Gerais. “Esta parceria é muito importante, porque a captação de órgãos é um sistema em que a gente sempre corre contra o tempo. Quando há uma doação no interior do estado, com essas dimensões que Minas Gerais tem, nós temos muito pouco tempo hábil para proceder a doação, a retirada e o transplante dos órgãos”, afirma.

Prêmio

Minas Gerais recebeu, em novembro de 2019, por meio do MG Transplantes, prêmio honorário concedido pelo Ministério da Saúde por alcançar a maior taxa de crescimento de captação de órgãos no Brasil naquele ano. Foram 294 doadores em 2019 contra 207 em 2018 – um aumento de 42%. Minas também registrou aumento de cerca de 10% dos transplantes realizados no ano passado. Em 2019, foram 2.458 operações, enquanto, em 2018, foram 2.236 procedimentos.

“Fomos premiados como estado que mais cresceu em efetivação de doação. Isso se deve a um trabalho conjunto, tanto do MG Transplantes quanto da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e do Governo do Estado, que nos possibilita aumentar o número de captações não só na região metropolitana, mas em outras regiões do estado, especialmente com esta parceria com as aeronaves do governo”, diz Cançado.

O diretor da instituição ainda destaca a importância da doação de órgãos. “Um único doador pode salvar até dez vidas, se contar com tecidos aumenta muito mais. Este gesto de solidariedade, fraternidade e amor ao próximo só pode ser feito se a família autorizar a doação, então é preciso que as pessoas conversem sobre este assunto e deixem claro o seu desejo: ser doadores”, finaliza.

Eficiência

O chefe do GMG e coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Rodrigo Rodrigues, explica que, em gestões passadas, os governadores chegaram a ter sete aeronaves disponíveis para uso exclusivo. Por decisão do governador Romeu Zema, algumas aeronaves do Governo foram vendidas e outras realocadas. Atualmente, o Gabinete Militar conta com três aeronaves, que possuem o uso compartilhado para diversas ações.

André Cruz / Imprensa MG

“O governador queria mais eficiência e quebrar a exclusividade das aeronaves que ficavam à disposição dele. Neste sentido, fizemos a redução de 50% das aeronaves, mas, com eficiência e o emprego lógico, conseguimos ampliar o portfólio de atendimentos. Trouxemos eficiência e pudemos atender mais pessoas, seja na área da Saúde, da Defesa Civil, da Segurança Pública”, explica o coronel Rodrigo.

O GMG trabalha em parceria com o MG Transplantes para oferecer, gratuitamente, transporte aéreo de órgãos e tecidos a serem transplantados. O serviço funciona 24h por dia, como forma de realizar operações otimizadas para salvar vidas. O coronel Rodrigo explica que a superintendência de transportes aéreos fica responsável por realizar a integração das aeronaves do governo e das Forças de Segurança, garantindo agilidade na disponibilização dos equipamentos.

“O uso da aeronave é estratégico, pois ela permite acessar locais e reduzir distâncias. Para este trabalho de transplantes de órgãos ela é muito eficiente, uma vez que tem um tempo de isquemia de cada órgão e a gente precisa acelerar. O que nós conseguimos fazer é aumentar o número de atendimentos, justamente por conta desta disponibilidade de entregar estas aeronaves para servir o povo mineiro”, conclui o chefe do Gabinete Militar.

A agilidade no transporte dos órgãos é fundamental para que a operação tenha sucesso. Os comandantes das aeronaves, assim que acionados, implementam todas as medidas necessárias para promover o transporte seguro, rápido e efetivo.

Desde o início de 2019, as aeronaves King Air B200, Citation VII e Dauphin N3 deram apoio no transporte de órgãos em diferentes regiões de Minas Gerais. Até o momento, 47 missões foram realizadas no apoio aéreo ao MG Transplantes, sendo 41 em 2019 e seis em 2020. Além disso, outras operações também são realizadas pelas demais aeronaves administradas pelo Comando de Aviação do Estado (Comave).

Plano

A atual gestão estadual também criou, em setembro de 2019, o novo Plano Estadual de Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos de Minas Gerais. O objetivo é potencializar o número de doações, assim como o número de transplantes efetivamente realizados no estado.

Fonte: Agência Minas