Parceria entre Justiça, Prefeitura e Coteminas tem meta de 10 mil unidades/dia

O enfrentamento à covid-19 tem sido levado a sério pela cidade de Montes Claros, no Norte de Minas. Várias medidas estão sendo tomadas para minimizar os dados provocados pela pandemia, entre elas uma parceria entre o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Coteminas e prefeitura na confecção de máscaras para a prevenir o contágio.

Desde a última quinta-feira (7/05) aproximadamente 20 detentos do Presídio Regional de Monte Claros iniciaram produção maciça de máscaras que serão utilizadas nas unidades de saúde da cidade e região, além de distribuídas para a população.

O juiz Geraldo Andersen de Quadros Fernandes, titular da Vara de Execuções Criminais e Tribunal do Júri, conta que a iniciativa partiu do Ministério Público da cidade, que viabilizou verbas oriundas de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC).

Com o dinheiro, foram adquiridas máquinas industriais de costura. A Coteminas, empresa da área têxtil sediada na cidade, ficou com a missão de contribuir com todo o tecido, que já é entregue cortado no formato das máscaras.

As máscaras que serão distribuídas a profissionais de saúde e à população são confeccionadas nesta sala, onde se veem as máquinas de costura

Todo o material é levado para o Presídio Regional onde os presos, selecionados e treinados por uma equipe técnica, iniciam a produção do material. “Eles estão eufóricos em poder contribuir com a sociedade através deste trabalho”, relata o magistrado. “É uma forma de se sentirem valorizados, além de conseguir remissão da pena”, acrescenta o juiz Geraldo Andersen.

Finalizadas, as máscaras são encaminhadas para o Prefeitura, que as repassa para as unidades de saúde da região. Parte das máscaras será utilizada por profissionais envolvidos no combate ao novo coronavírus. Outra parte é destinada à população. A previsão é que nos próximos 15 dias os detentos consigam produzir cerca de 5 mil máscaras por dia, mas a meta é atingir 10 mil máscaras.

A iniciativa de envolver presos em trabalhos que visam a ressocialização não é novidade na cidade. De acordo com o juiz Geraldo Andersen, a Prefeitura de Montes Claros mantém o projeto Além das Prisões, através do qual os presos trabalham na manutenção de jardins e plantio de novas árvores na cidade.

Os presos que passam pelo projeto, ao lado de moradores de rua, passam a fazer parte de um cadastro e podem ser contratados por grandes empresas da cidade, após o cumprimento das penas.

Videoconferência

Outro projeto implementado durante a pandemia permitiu a instalação de um sistema de videoconferência em cada uma das unidades prisionais da cidade: Presídio Regional, Presídio Alvorada e Centro Sócio Educativo de Montes Claros.

A verba para instalação do sistema dos presídios veio de penas pecuniárias, através da Vara de Execuções Criminais. “Trata-se de uma importante medida, pois com a videoconferência os presos não precisam mais se deslocar dos presídios até o fórum para prestar depoimento, evitando contatos físicos e possíveis contaminações”, explica o magistrado. As salas foram inauguradas nesta quinta-feira (7/05).

Outra medida de grande importância e que também está relacionada com a pandemia, foi a compra, também com verbas de penas pecuniárias, de desinfetantes e álcool em gel para serem utilizados pelos presos e por agentes penitenciários.

Sala para videoconferências foi inaugurada no presídio de Montes Claros com recursos de verbas pecuniárias

Duas mortes

Montes Claros, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, atualmente possui 22 casos confirmados de Covid-19. Duas pessoas já morreram na cidade.

De acordo com boletim epidemiológico divulgado na última quinta-feira, 2.200 casos suspeitos foram notificados, 397 estão em investigação e 79 aguardam resultado de exames. Atualmente 31 pacientes estão internados, sendo sete em CTI.

Fonte: Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG