Renegociar, ajustar receitas e despesas é o caminho, orientam os especialistas

O momento da pandemia causada pelo covid-19 tem trazido muitas dúvidas e, até mesmo, um amedrontamento para o empresário de pequeno e médio porte.

No Brasil, os pequenos negócios empresariais são formados pelas micro e pequenas empresas (MPE) e pelos microempreendedores individuais (MEI).  Os pequenos negócios na economia brasileira geram em torno de 27% do PIB, 52% dos empregos com carteira assinada, 40% dos salários pagos e 8,9 milhões de micro e pequenas empresas. As MPEs respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no país do setor privado, o que corresponde a 16,1 milhões de trabalhadores.

A empresária contábil Daise de Andrade Silva, que há 29 anos atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, falou ao JORNAL PANORAMA sobre a medidas que o empresário deverá tomar com a volta dos trabalhos pós a pandemia causada pelo covid-19. “Importante é mais uma vez salientar:  o pequeno negócio é o que mais gera empregos no Brasil. Então, o microempresário deve ter em mente o tamanho de sua responsabilidade na economia, mas também no aspecto social. Sendo assim, mais do que nunca, terá que investir seu tempo em tomada de decisões”, afirmou.

Daise também deu dicas aos empresários do que fazer para amenizar os danos causados na economia. “Aconselho que verifique todas as suas despesas e contas, veja o que é possível ser cortado; analise seus custos, ou seja, verifique na atividade e no segmento que sua empresa trabalha o que você pode alterar nos seus processos e procedimentos do dia a dia, e que resultariam numa economia de tempo e de recursos. Procedendo assim, você também fará uma economia. Porém, alerto: a qualidade de sua mercadoria ou serviço não pode ficar comprometida. Se informe das linhas de crédito e medidas dos governos Federal e Estadual para que possa utilizar as que mais se alinham com o perfil da empresa e necessidade. Procure seu profissional contábil: ele com certeza lhe orientará. Inove no seu negócio, procure se adequar à nova realidade. Após a pandemia, algumas coisas passarão, outras não; transforme a necessidade em oportunidade!”, orientou a contadora.

O administrador de empresas Francisco Bernardes Lage, que atua como consultor na administração pública, também indicou caminhos que podem ser seguidos pelo empreendedor. “Renegociar contratos de aluguel, quando houver; renegociar financiamentos bancários, quando houver, e negociar com os funcionários possível redução de jornada de trabalho e salário, ou, solicitar financiamento bancário para quitação de folha de pagamento (tem linha de crédito disponível para que a empresa possa manter seus colaboradores)”, pontuou. Segundo o administrador, estas medidas também irão facilitar o retorno das atividades após a pandemia.

Outra dúvida para a qual existem ainda muitos questionamentos é sobre a situação da declaração do imposto de renda deste ano, cujo prazo foi prorrogado para 30 de junho. A empresária contábil Daise de Andrade Silva também diz que há um ponto positivo devido aos vencimentos. “Utilize esse tempo a seu favor, ou seja, reúna sua documentação o quanto antes, e encaminhe para um profissional e procure obter pela internet os documentos que antes você conseguia por meio presencial. Se não sabe como, pergunte ao profissional que costumeiramente lhe atende, ele saberá lhe orientar e indicar caminhos”, aconselha.

Nesse caso, a contadora ainda diz que o melhor é não se acomodar, porque o contribuinte que tem acesso aos documentos deve o quanto antes fazer a sua declaração. O calendário das restituições não sofreu alterações, com o primeiro lote sendo creditado em maio de 2020 e o último em 30 de setembro. O Governo Federal reafirmou que quem entregar sua declaração antes, receberá sua restituição primeiramente.

“Quem tiver saldo a pagar, também aconselho a fazer sua declaração o quanto antes. Devido a pandemia e seus reflexos, precisamos mais do que nunca organizar nossas finanças e ter controle das contas e dívidas que teremos para pagar nos próximos meses”, acrescenta a empresária.

Atualmente com o crescimento de casos de contaminação pelo covid-19, o isolamento social é uma das precauções mais eficazes e por isso é importante que as empresas possam buscar medidas preventivas de acordo com número de profissionais e perfil empresarial. “Estou trabalhando juntamente com boa parte de minha equipe em regime de home office, porém tenho feito o atendimento e a recepção online dos documentos para fins de Declaração de Imposto de Renda, e assim também outros profissionais estão fazendo,” destacou Daise.

Com as dívidas e despesas, como fazer? 

Veja as dicas dadas pela empresária contábil Daise de Andrade Silva e pelo administrador de empresas Francisco Bernardes Lage:

– As despesas: devem ser analisadas uma a uma, e, aquelas que não se fizerem tão necessárias, serem cortadas; solicitar junto aos credores uma redução temporária, ou mesmo um prazo maior para pagamento; verificar quais as despesas podem ser prorrogadas; levantar as receitas que se manterão e equacionar as despesas para que após esse período não se inviabilize a continuidade da empresa;

– Dívidas: não adianta querer fugir delas, elas estão aí! Procure seus credores e negocie prazos e pagamentos parcelados. No entanto, existem muitos pagamentos prorrogados de forma que os vencimentos de agora coincidirão com vencimentos futuros, ou seja, você não paga agora, mas lá na frente você pagará no mesmo mês duas parcelas dessa dívida. Esse tipo de prorrogação pode não ser tão viável, pois causa uma sensação de alívio agora, mas uma sobrecarga no orçamento futuro, que no momento é imprevisível; renegociar e ajustar receitas e despesas é o caminho.

“A palavra de ordem é calma”, conclui o consultor administrativo Francisco Bernardes Lage.