Giovanni Guido Cerri explica que a plataforma desenvolvida no HC da Faculdade de Medicina reúne dados enviados por radiologistas para identificar padrões da doença no Brasil

A inteligência artificial tem sido aplicada no Hospital das Clínicas (HC) para analisar os quadros pulmonares de doentes contaminados pelo novo coronavírus. Batizada de RadVid19, a plataforma reúne dados sobre casos de todo o Brasil, tomando como referência imagens de radiografias e tomografias da região do tórax para tentar encontrar padrões da doença e agilizar o diagnóstico.

Jornal da USP no Ar conversou com o professor  Giovanni Guido Cerri, presidente do Instituto de Radiologia (InRad) e do Conselho de Inovação do HC da Faculdade de Medicina da USP. Ele conta que o hospital tem sido referência no tratamento e diagnóstico de casos graves da covid-19, e que a ideia de criar um banco de imagens visa a integrar os conhecimentos de médicos radiologistas do País.

“Isso mostra como a inovação pode ajudar no combate a essa pandemia”, conta o médico. “Decidimos fazer uma plataforma para que os radiologistas brasileiros conseguissem enviar seus casos para esse banco de dados, de forma a criarmos um padrão nacional da covid-19 através de tomografia computadorizada e radiografia de tórax, que é a região onde a doença manifesta seus quadros clínicos mais graves. O objetivo é permitir uma identificação mais rápida e precisa dos casos suspeitos de covid-19.”

O projeto foi implementado na semana passada e hospitais da região de São Paulo já começaram a colaborar. O Colégio Brasileiro de Radiologia, que congrega radiologistas de todo o Brasil, está dando suporte a esse estudo.

Quando o número de casos enviados para a plataforma for suficiente, o algoritmo da plataforma passará a avaliá-los em poucos segundos, por meio da inteligência artificial, sinalizando ao radiologista que um caso é suspeito, ou até mesmo oferecendo um pré-laudo para o paciente.

Diferentes estágios de evolução da doença alimentam as informações da plataforma, com o objetivo de fazer associações entre quadros radiológicos e as condições clínicas e laboratoriais apresentadas. Segundo Cerri, a importância da base nas tomografias ou radiografias do tórax é que “isso já pode sinalizar um caso suspeito e sua gravidade antes do diagnóstico definitivo de coronavírus, mobilizando a equipe assistencial para a internação e suporte com antecedência, já que o exame pode demorar dois, três dias, até ficar pronto”.

Além disso, o banco de dados contribuirá com a identificação de um padrão brasileiro, considerando as diferenças sociais e regionais, inclusive a pirâmide etária.

Fonte: USP